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Me Casei com Gigolô e Ele Era Meu Noivo Fugitivo Bilionário romance Capítulo 3

POV ARTHUR

O lustre de cristal pendurado no teto do restaurante espalhava uma luz dourada sobre as mesas cobertas por linho. Meus passos ecoaram pelo granito polido, e o peso das minhas botas quebrou o silêncio daquele ambiente fútil. Um almoço ali valia o salário do mês de um trabalhador médio, o tipo de desperdício que embrulhou o meu estômago.

— Por aqui, senhor. A sua mesa reservada fica na ala privativa dos fundos. — O garçom se aproximou, abaixando a cabeça.

— Não me chama de senhor. — Cortei de imediato, a voz saindo grossa.

As mangas da minha camisa de linho preta estavam dobradas até os cotovelos, deixando o braço esquerdo inteiro com as tatuagens à mostra, além dos primeiros botões abertos expondo o peito. Eu não pertencia a esse mundo de aparências e nem fazia questão de me esconder para agradar ninguém. Cruzei o salão com passos largos e avistei o alvo.

Betânia Zeiberg ocupava o centro do espaço reservado, com aquela postura impecável de quem se julgava dona do mundo. Ela não estava sozinha. Dois homens de terno escuro dividiam a mesa com ela; um homem mais velho com cabelos grisalhos e cara de bilionário e um mais novo segurando uma pasta sob o peito.

A presença desses dois urubus fez o meu maxilar travar na hora.

— Arthur, meu filho. Você veio. — Betânia se levantou, abrindo os braços e inclinando o corpo para me dar um beijo no rosto.

Girei o pescoço de leve, desviando do contato. Os lábios dela alcançaram apenas o ar frio. Sentei-me na cadeira vaga da ponta, apoiando os braços no tampo e encarando a mulher que tinha me largado na infância.

— Desembucha o que você quer, Betânia. Achei que era um almoço entre nós dois, não uma reunião com sei lá quem.

— Quanta agressividade, Arthur. Eu queria te apresentar esses dois senhores aqui, eles representam a holding dos Fronc...

— Eu não quero ouvir o sobrenome de ninguém e nem me interessa quem eles são. — Interrompi, e o homem mais velho se mexeu na cadeira, desconfortável. — Fala logo o motivo de ter me procurado.

Betânia parou as duas mãos espalhadas na mesa com os olhos fixos nos meus, recuperando a postura autoritária.

— Nós temos um acordo comercial de muito tempo atrás, Arthur. O seu pai Hendrik Zeiberg faleceu alguns anos atrás e agora está na hora de você assumir os seus negócios e o legado das pedras preciosas.

— Não chama aquele sujeito de meu pai. — Apontei o indicador na direção dela, sentindo o sangue ferver. — O único homem que me criou, que me deu um teto e a quem eu chamava de pai não é aquele sujeito.

— Você sabe muito bem que o seu tio é apenas o seu tio, Arthur. Você é um Zeiberg. Mesmo que você tenha tirado o sobrenome paterno, você continua sendo o meu filho. — Minha mãe respondeu, passando a mão na cabeça do seu cachorrinho de estimação que estava dentro da bolsa ao lado.

— Eu não quero o dinheiro. Pega essa riqueza e some da minha vida, Betânia. Faz exatamente o que você fez quando eu era uma criança.

Ela continuou me encarando com uma seriedade gélida.

— Até quando essa birra, Arthur? Para você assumir o seu legado e a empresa, o contrato exige uma cláusula. Você precisa se casar.

Soltei uma gargalhada sarcástica, o som ecoou pela área reservada.

— Você só pode estar ficando louca.

— Eu estou falando muito sério. Você vai se casar, e vai se casar com a filha dele. — Ela apontou para o homem que segurava a pasta.

Me levantei da cadeira num salto, o móvel arrastando contra o chão com um ruído estridente. O ódio comandou os meus movimentos.

— Você perdeu o juízo. Eu não vou me casar com ninguém... Estou saindo. — Virei as costas e comecei a andar.

— Eu estou com câncer, Arthur. — A frase dela saiu num sussurro, travando os meus passos.

Girei o corpo devagar. O rosto de Betânia estava um pouco mais pálido que o normal.

— Estou com câncer de mama, estágio dois. Eu vou morrer se o tratamento não funcionar. Só quero deixar você encaminhado antes de partir.

O ar travou na minha garganta por um segundo, mas controlei a reação de imediato. Sorri de lado, cínico. Ignorando as batidas aceleradas e desconfortáveis do meu coração.

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