Ponto de vista de Grace.
A pergunta não devia ter me pego de surpresa, mas pegou. E não só isso, ela me deixou apavorada. Porque, por uma fração de segundo eu quase disse que sim.
Acordei pra vida quando senti a mão do Charles apertando a minha. Olhei pra ele na hora, nunca tinha visto ele tão puto antes. O que eu estava falando? Eu nunca tinha visto ele com raiva, ponto. O Charles sempre ficava emotivo, magoado, dramático e patético, mas nunca com raiva.
Eu não conseguia nem perguntar o que estava errado com ele. Por quê? Porque eu também estava puta. Como ele ainda achava que tinha o direito de me fazer aquelas perguntas, de agir de forma possessiva como se fosse meu dono?
— Solta, Charles.
Ele olhou pra mim, depois pra mão dele apertando a minha. Lentamente, ele recuou, com os dedos tremendo enquanto dizia:
— E-eu sinto muito.
Segurei meu pulso, esfregando o local pra aliviar a dor. Minha voz saiu gelada:
— Não preciso das suas desculpas. Não é a primeira vez que você põe as mãos em mim. Pelo menos, desta vez, você não me bateu.
A cara do Charles caiu. Ele olhou pra baixo, com a culpa estampada na cara enquanto a memória daquele dia devia estar corroendo ele por dentro.
Observei ele por um momento e me encostei na cadeira.
— Charles — disse baixinho —, tenho uma pergunta.
Ele olhou pra cima imediatamente, desesperado e quase esperançoso.
— Pergunta qualquer coisa. Qualquer coisa que você quiser, eu respondo.
— Você não é gay?
Ele travou.
Bom, ele disse "qualquer coisa". E eu tive que perguntar, porque o comportamento dele estava me confundindo pra caralho. Por que ele estava agindo assim se curtia homens? Isso não parecia alguém tentando realizar o desejo do pai. Será que o pai dele sabia que ele estava aqui? Não tinha como o Charles gostar de mim, eu sou uma mulher.
— E-eu sou. — Ele gaguejou.
— Eu gosto de homens.
Assenti devagar.
— Então por que...
— Mas eu amo você, Grace.
Eu parei, e meus olhos se arregalaram de surpresa.
Hein? O que esse desgraçado acabou de dizer?
Charles me olhou, com as mãos tremendo enquanto tentava segurar as minhas. Os olhos dele estavam brilhando de lágrimas.
— Eu te amo. — Disse ele.
— Eu não sei o que está acontecendo, mas não tenho interesse em outras mulheres. Eu nem presto atenção nelas quando as vejo. Eu até tentei "experimentar" ontem à noite, mas não consegui. Mas com você, eu consigo. É como se você fosse diferente. Eu não vejo o gênero, mas quem você é de verdade.
— Por favor... fica comigo. Eu vou tentar ser um homem bom. Vou cuidar de você. Faço qualquer coisa que você quiser; se quiser que eu seja seu cachorro, eu serei. Eu vou ser sexualmente ativo. Nunca vou deixar meus pais te humilharem, só quero que você seja minha esposa. Não aguento ver você com nenhum outro homem que não seja eu.
Nessa hora, tudo o que eu conseguia fazer era encarar ele, de boca aberta, em choque. Isso era um sonho? Que porra estava acontecendo?
Ele estava basicamente dizendo: "sou gay, mas hétero por você". Isso não fazia sentido nenhum. E "sexualmente ativo"? Eu não pedi isso. Minhas necessidades sexuais já estavam muito bem cuidadas — cuidadas até demais, por sinal!
Toquei minha testa, sentindo uma dor de cabeça começar a latejar por causa dele. Eu não sabia nem por onde começar.
Virei a cabeça, pronta pra dar um empurrão nele, mas ele apertou o meu rosto.
Esse bastardo estava louco. Por que ele não entendia o recado e me deixava em paz?
Ele se inclinou ainda mais, a respiração dele batendo na minha pele. Eu estava a dois segundos de sentar a mão na cara dele quando um som seco estalou no ar.
Pow!
— Ah! — Charles deu um gemido, pulando pra trás e segurando a cabeça.
Pisquei, assustada.
— Quem foi o desgraçado que fez isso?! — Ele berrou, com a voz falhando no meio.
Olhei pra cima. Parado a poucos passos estava o velho que estava cochilando mais cedo, agora segurando um jornal enrolado como se fosse uma clava. A cara dele era de puro nojo.
Pow!
Ele deu outra jornalzada no Charles, mais forte dessa vez.
— Seu moleque desgraçado! — O homem gritou.
— Você é uma vergonha para todos os homens do mundo! Como ousa tentar assediar uma mulher bem na minha frente? Está querendo morrer?
Charles se encolheu igual a um vira-lata chutado. Fiquei paralisada por um momento, com o pulso ainda martelando pelo que quase aconteceu. A presença do velho era esmagadora. Só pelo tom de voz e pela autoridade, dava pra ver que ele não era alguém com quem se brinca.
Para alguém vestido de forma tão simples, a aura dele era bizarramente forte e estranhamente familiar.
Engoli em seco, sem saber se agradecia ou se saía correndo pra salvar minha vida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
Um dos melhores romances que já li. Bem escrito, sem inconsistências na história, ritmo agradável, e o enredo picante, mas com um toque de comédia tornando a leitura divertida. Daquelas histórias que faz a gente virar a noite fácil....
parou de atualizar......
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...