Ponto de vista de Grace.
Tanto o Charles quanto eu ficamos parados, olhando para o estranho na nossa frente, completamente em choque. O velho não parecia nem um pouco uma ameaça: camisa comum, cabelo bagunçado e uma boa aparência, mas tinha algo na presença dele que deixava o ar pesado.
Quando Charles não respondeu, a cara do velho fechou. Ele levantou a mão, ainda com o jornal enrolado, e sentou o sarrafo no Charles de novo.
O Charles se encolheu na hora e abaixou, cobrindo a cabeça igual a uma criança.
— O-o que você está fazendo?! Para com isso! Você é louco?!
O sorriso do velho ficou afiado, mas os olhos dele não tinham nada de gentis.
— Seu canalha idiota. — Disse ele, num tom baixo e perigoso.
— Que tal eu te mostrar o que acontece quando eu fico louco de verdade?
Antes que qualquer um de nós pudesse reagir, ele tacou o jornal na mesa e pegou o buquê de flores que estava ali. Meu queixo quase caiu quando vi ele levantando aquilo como se fosse uma arma.
— Vem cá! — Ele berrou.
— Deixa eu te mostrar que até velho fica forte quando está puto!
Charles arregalou os olhos, parecendo um doido. Ele olhou para mim como se perguntasse em silêncio: "Isso está acontecendo mesmo?".
Eu pisquei e dei de ombros. Tipo, ele queria que eu fizesse o quê? Impedisse o coroa? Pra quê? O desgraçado do Charles que tentou me beijar sem permissão. O velho era praticamente meu herói naquele momento.
— Espera... espera! Para! — Charles gemia enquanto o velho descia o buquê na cabeça dele. As pétalas batiam no cabelo dele e voavam para todo lado.
Charles tropeçou para trás, choramingando de dor, e correu para se salvar. Mas o velho não deu trégua. Para alguém daquela idade, ele era rápido demais. Ele perseguiu o Charles pelo café inteiro, abanando as flores.
O fôlego do Charles começou a sumir.
— G-Grace! — Ele ofegou entre uma lufada de ar e outra.
— Vamos conversar mais tarde... num lugar mais privado! A gente continua nosso papo!
Eu nem dei moral. Com um grito de frustração, ele deu meia-volta e disparou pela saída, sumindo de vista.
O velho parou, lançando um olhar mortal na direção dele antes de balançar a cabeça com um suspiro cansado.
— Esses jovens de hoje em dia só falam besteira. — Resmungou ele.
Assim que teve certeza de que o Charles tinha sumido mesmo, ele virou o olhar para mim. Eu congelei. Meu sorriso sumiu na hora.
"Puta que pariu, não me diga que ele vai me bater também." Meus olhos foram direto para as flores na mão dele, agora murchas e quase sem pétalas. Mas a expressão dele suavizou. Ele se aproximou, e o tom de voz ficou gentil do nada.
— Senhorita — disse ele —, você está bem?
— Er... sim, senhor, acho que sim.
Ele deu um sorriso de canto, sem aquela fúria de antes.
— Que bom. Aquele moleque precisava de um choque de realidade. Eu não podia ficar sentado olhando aquela palhaçada.
Pela primeira vez na vida, eu fiquei sem palavras. Um coroa com um buquê de flores tinha acabado de me salvar de um beijo forçado.
Eu dei um sorrisinho e me levantei, limpando a saia.
— Obrigada, senhor.
Ele sorriu de volta e fez um gesto de descaso com a mão.
— O prazer é meu. Eu não aguentava mais as merdas que saíam da boca daquele garoto. E você não deve se sentir mal, criança. Tem gente que simplesmente não merece gentileza. Não dá para ajudar quem não quer ser ajudado, especialmente quando você não tem obrigação nenhuma com o sujeito.
Aquelas palavras bateram forte, mais do que eu esperava. Olhei para ele por um segundo antes de concordar com a cabeça.
— O senhor tem razão. — Eu disse baixinho. Eu não devia me sentir mal pelo Charles. Eu já tinha feito a minha parte. Era hora de focar na minha própria vida.
Ela voltou com uma bandeja pequena, toda arrumadinha.
— Aqui está, senhora.
— Obrigada. — Respondi, pegando a bandeja.
Quando voltei, o velho estava sentado de novo, com uma perna cruzada sobre a outra, olhando para a rua com a calma de quem tem todo o tempo do mundo.
Coloquei a bandeja na frente dele e sentei na cadeira oposta. Ele olhou para as bebidas e arqueou uma sobrancelha.
— Você trouxe suco de laranja? — Disse ele.
— A maioria das pessoas traria café.
Coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha e encarei ele.
— O senhor disse que queria bolo, então achei que ia preferir algo gelado para acompanhar. Não se preocupe, senhor, o suco deles não é tão doce.
Ele riu baixinho.
— Hum, você não é só gentil, é atenciosa também. É difícil achar mulher boa como você hoje em dia.
Eu dei um sorrisinho, sem saber direito o que dizer, então só levantei meu copo e dei um gole, mas ele não parou por ali.
— Escuta, moça — disse ele, inclinando-se um pouco para frente, com um brilho de deboche nos olhos —, você está num relacionamento? Se não estiver, se importa de me dizer o seu tipo?
Eu travei, com o copo no meio do caminho para a boca.
Ele deu um sorriso malicioso, claramente se divertindo com a minha hesitação.
— Não, não só o seu tipo. — Acrescentou ele, com a voz ficando mais baixa. — Por acaso você curte uns coroas?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
Um dos melhores romances que já li. Bem escrito, sem inconsistências na história, ritmo agradável, e o enredo picante, mas com um toque de comédia tornando a leitura divertida. Daquelas histórias que faz a gente virar a noite fácil....
parou de atualizar......
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...