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Me Satisfaça, Daddy romance Capítulo 113

Ponto de vista de Adam.

Ela era perfeita.

Olhos gentis, boa personalidade e uma mente afiada. Tudo o que uma mulher deve ter. Se alguém pudesse derreter aquele iceberg que eu chamo de filho, era essa mulher sentada na minha frente.

Era uma quarta-feira, como sempre. Vim ao café perto da empresa, aquele que comprei anos atrás só para poder sentar sem ser incomodado. Na época em que o Apollo perdeu a esposa, ele parou de viver como gente. Mal comia, mal dormia. Eu costumava sentar aqui toda semana, esperando que ele passasse na frente, só para saber se ele ainda estava respirando. Nunca deixei esse antigo hábito.

O lugar costumava ficar vazio, o que para mim era ótimo. A mulher no balcão, minha assistente, não conseguiria passar um café decente nem que a vida dela dependesse disso. Só isso já mantinha os clientes longe. As quartas eram quietas, pacíficas e previsíveis.

Por isso, quando a porta abriu e um casal jovem entrou, eu mal olhei até ouvir o sujeito falar. Mas o absurdo das palavras dele fez minha pressão subir na hora.

O infeliz estava confessando que amava homens, mas que, de alguma forma, também amava a mulher sentada à sua frente. Falando merdas como "vou tentar ser sexualmente ativo" por ela. Santo Deus. Eu sobrevivi a guerras e recessões, e mesmo assim nunca tinha ouvido algo tão ridículo.

Essa geração é estranha, mas eu não sabia que era burra desse jeito.

E no entanto, mesmo depois de toda aquela besteira, a mulher não perdeu a paciência. Em vez disso, olhou para ele e tentou colocar juízo naquela cabeça. Ela argumentou, confortou e até sentiu pena dele.

Esse tipo de paciência é raro.

Então, quando aquele idiota tentou beijá-la, meu corpo se moveu antes do meu cérebro. Sentei o sarrafo nele. O jornal enrolado na minha mão fez um estalo satisfatório contra o crânio dele.

E agora, ela estava sentada na minha frente.

Ela piscou para mim quando falei, com os olhos se arregalando levemente. Por um segundo, achei que ela pensou que eu estava brincando, ou talvez ficando esclerosado. Qualquer outra mulher já teria saído correndo dali, talvez até me denunciado por dizer algo assim. Mas, em vez disso, ela me olhou com paciência:

— O senhor pode, por favor, explicar o que quer dizer com isso?

Educada, respeitosa e elegante também.

Sorri, genuinamente divertido.

— Veja bem — comecei, cruzando os braços —, eu tenho um filho, ele está na casa dos quarenta. Um homem bom, na maior parte do tempo. É bonito, bem-sucedido, mas tem o calor emocional de um iceberg.

As sobrancelhas dela se juntaram um pouco, sem saber onde eu queria chegar.

Inclinei-me para frente, com o sorriso aumentando.

— E você, moça, parece estar no início dos vinte. Tem a cabeça no lugar e um bom coração. O tipo que conseguiria equilibrar um homem como ele.

— ....

— Com a sua personalidade — disse eu, satisfeito com minha conclusão —, você seria o par perfeito para o meu filho.

Ela me encarou por um longo tempo, semicerrando os olhos como se tentasse ver se eu estava de sacanagem. Quando percebeu que eu estava falando sério, a mão dela apertou o copo de vidro que segurava.

— Oh. — Disse ela devagar, com a voz entre a descrença e a elegância.

— O senhor está falando sério.

Ri baixinho, encostando no banco.

— Estou. Mais do que sério, querida. Me diga, homens mais velhos fazem o seu tipo? Você conseguiria se ver namorando um?

Os lábios dela se abriram de surpresa, e eu juro que vi um rastro de cor nas bochechas dela. Ela desviou o olhar por um segundo, os dedos mexendo na borda do copo como se não soubesse o que fazer com eles. Interessante. Aquela expressão contida, quase envergonhada, me disse mais do que qualquer palavra.

"Hum", pensei, arqueando uma sobrancelha, "será que essa criança já namorou um cara mais velho antes?".

Quis perguntar, mas segurei a língua. Não podia arriscar assustá-la. Ela era perfeita demais para perder. O Apollo precisava de alguém como ela, mesmo que ela não fosse o tipo de mulher com quem ele costuma sair. Mas, parando para pensar, qual era o tipo dele? Aquelas mulheres impecáveis e artificiais sempre o entediaram. Ele uma vez rejeitou uma modelo famosa que apresentei sem nem dar uma segunda olhada.

Beleza não era o que atraía meu filho. Era substância. E essa mulher tinha de sobra.

— Acho que estou sendo direto demais. — Disse com um sorriso. — Vamos começar do jeito certo, pode ser? Eu sou o Adam.

Ela relaxou, retribuindo o sorriso.

— Grace.

Ela suspirou suavemente:

— Ele provavelmente é uma pessoa incrível, mas eu não estou aberta para um relacionamento agora.

Inclinei-me para frente imediatamente, sem conseguir esconder minha empolgação.

— Você está em um relacionamento?

Os lábios dela se abriram de leve e ela balançou a cabeça.

— É difícil de explicar. — Murmurou, mordendo o lábio inferior.

— Mas eu estou "meio que" saindo com alguém.

Não respondi de imediato. Apenas a observei, estudando sua expressão.

"Meio que saindo com alguém", hein?

Por dentro, eu quase dei risada. Isso não era um não. E definitivamente não era um anel no dedo.

Escondi minha satisfação atrás de um sorriso calmo.

— Entendo. — Disse suavemente. Mas, na real, eu não dava a mínima se ela estava saindo com alguém ou até namorando. Eu não sou do tipo que desiste fácil, especialmente quando encontro algo — ou melhor, alguém — pelo qual vale a pena lutar.

Ela era uma joia rara. Se o Apollo não ficasse com ela, outro ficaria, e isso era algo que eu me recusava a permitir.

E eu não ligava para quem era o sujeito. Mesmo que fosse o filho do presidente ou algum herdeiro arrogante sentado numa montanha de dinheiro, se ele entrasse no meu caminho, ia se arrepender.

Dei um gole na minha bebida.

Essa mulher vai ser minha nora. De um jeito ou de outro.

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