— De onde veio isso? Você achou? — Bento franziu a testa enquanto olhava para Alana.
Esta abotoadura era a mesma que ele, anos atrás, quando havia caído na água e sido resgatado, entregara para a pessoa que salvou sua vida. A noite estava muito escura e ele só conseguiu arrancar a coisa mais valiosa que ainda tinha no corpo e entregar a ela.
Ele sabia que era uma garota jovem. Quando abriu os olhos novamente, viu Isabella. Isabella disse que o salvaria e foi ela quem o levou ao hospital.
Por causa disso, ele nunca havia perguntado se a abotoadura ainda estava com ela.
Mas hoje...
Alana pegou a abotoadura de volta:
— Sr. Cavalcante, acho que as pessoas deveriam ter um mínimo de noção de limites, o que o senhor acha?
Vendo o quanto ela valorizava a abotoadura, a expressão de Bento ficou séria.
Uma explicação que ele suspeitava estava prestes a vir à tona.
Mas ainda precisava confirmar com Isabella.
Além de também precisar de uma explicação da mulher que estava à sua frente.
— Como posso chamá-la? — Até aquele momento, Bento ainda não sabia que a mulher à sua frente era Alana.
Alana achou a situação simplesmente ridícula.
Ela se endireitou e, sem sequer olhá-lo, preparou-se para sair.
Bento achou tudo muito estranho. Como ele conseguia sentir repulsa e ódio vindo dela?
Ele tinha batido nela acidentalmente antes e agorinha a salvou da queda, mas ela nem se deu ao trabalho de dizer "obrigada".
— Você...
Ele estendeu a mão, tentando segurá-la para exigir uma explicação.
Mas, naquele momento, ouviu-se uma comoção.
Gritos vieram da direção do baile e tudo pareceu ter virado um caos.
O celular de Alana tocou. Era Henrique ligando.
Assim que ela atendeu, antes mesmo de ter a chance de falar, ela viu pessoas correndo naquela direção.
Bento tentou puxar Alana e acabou esbarrando no braço dela, fazendo o celular cair.
Alana se abaixou para pegá-lo, mas antes que pudesse tocá-lo, foi bruscamente arrastada por um homem que surgiu correndo.
— Solte-a! — Bento tentou alcançar Alana, mas já era tarde demais.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Memórias Destruídas: Não Há Volta Para Nós