Ao ouvir isso, Isabella sentiu alívio!
O olhar de Alana ficou tenso e todo o seu corpo começou a ficar frio.
Porque ela sabia que Arthur jamais a escolheria!
Mas, mesmo sabendo disso, ela teimosamente não desviou o olhar e encarou Arthur.
O olhar de Arthur sequer pousou nela, focando apenas em Isabella. Ao final, disse de maneira fria:
— Não importa quem eu escolha, vocês não vão sair daqui com vida hoje, não é mesmo?
— Nós nem tínhamos a intenção de sair daqui, não é mesmo? — O homem que prendia Alana replicou e empurrou diretamente o corpo das duas para baixo. Metade delas já pendia para fora da grade.
— Não! — Bento e Lorenzo gritaram ao mesmo tempo.
Isabella, ao escutar a preocupação deles consigo, engoliu um berro estridente e direcionou o olhar para Alana.
Alana baixou a cabeça e analisou minuciosamente a água escura sob o casco.
Por uma fração de segundo, a repulsa que Isabella sentia por Alana bateu no teto.
Elas estavam por um triz, para que continuar fazendo cena daquele jeito?
Alana, por outro lado, confirmou uma coisa. Se fosse jogada ao mar e não fosse ferida, ela poderia muito bem sobreviver naquelas águas!
A abotoadura na bolsa era a melhor prova de que era capaz daquilo.
Ela conseguira, no passado, puxar um homem caindo no mar e arrastá-lo sozinha de volta à costa!
— Arthur! — Bento virou-se, cravando os olhos em Arthur.
Ele estava prestes a alertá-lo de que a mulher feita de refém junto com Isabella era justamente aquela de quem ele dissera gostar.
Mas antes que dissesse uma palavra, Henrique se adiantou e apertou o braço de Arthur:
— Arthur, salve-a. Você tem que salvá-la!
Alana havia tido uma filha com ele. Uma criança sem a mãe, ele nem tinha coragem de pensar na desgraça que seria...
Se Arthur realmente pretendesse desistir de Alana, ele não se importaria em expor a pequena Maya para forçá-lo a abrir uma rota de sobrevivência para ela.
— Escolha logo! — Os homens mostraram que a paciência havia chegado ao fim.
O coração de Alana saltou até a garganta. Ela olhou mais uma vez para Arthur.
O olhar dele ainda não estava nela. E sequer tinha passado por ela em algum momento...
Toda a sua atenção e todo o seu coração focavam-se unicamente em Isabella!
Por isso, quando a voz de Arthur proferiu a sentença: "Eu troco de lugar com ela".
Ela nem precisou fechar os olhos. Ela sabia que a escolha dele fora Isabella!
Sempre seria Isabella!
Ele estava disposto a se entregar para salvar Isabella!
Que amor tão intenso, capaz de dominar todo o seu ser!
O fundo dos olhos de Alana queimou de dor. A sensação de ser jogada fora mais uma vez fez a imagem de Maya passar pela sua cabeça...
Uma criança sem mãe viveria pior que um mendigo.
Ela tinha que continuar viva...
— Arthur, não! — O grito de Isabella ecoou.

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