E como iria para a empresa do Henrique?
Uma pessoa não pode assinar contrato com duas empresas.
Alana mordeu o lábio, com o corpo tremendo, suportando a dor pós-operatória da curetagem, abaixou-se e pegou do chão a carta de demissão e o pedido de licença.
— Sr. Campos, eu quero me demitir, por favor, aprove.
Ela baixou os olhos e teimosamente entregou a carta diante dos olhos de Arthur.
Hoje, ela precisava se demitir e precisava ir embora.
O homem ergueu os olhos, examinou silenciosamente Alana e, após um momento, desviou o olhar: — Você acha que apelar para medidas extremas vai fazer todo mundo te ver de outra forma?
Alana olhou incrédula para o homem à sua frente.
O resultado de seus esforços por tanto tempo era que todas as suas ações eram consideradas por ele como mal-intencionadas, no intuito de ganhar sua atenção.
Alana apenas se sentiu miserável.
— Eu...
— O Grupo Campos não depende exclusivamente de você e você não é insubstituível. Na próxima, recolha as suas próprias coisas e vá embora. Saia.
Ele não deixou margem de cortesia para ela.
O coração de Alana contraiu de dor e quando algo parecia querer transbordar dos seus olhos, o telefone fixo sobre a mesa de escritório tocou.
Foi atendido de imediato, sem o menor impedimento.
— Marido, você deixou o seu cinto ontem na minha casa e estou trazendo para você agora.
Ao ouvir Isabella chamá-lo de marido, Alana ficou paralisada, incapaz de fazer qualquer movimento.
Era a voz de Isabella.
Isabella o chamava de marido?
Ela só ousava dirigir-se a ele com um título de tanta intimidade nos seus próprios pensamentos no passado.
Alana olhou para cima em sua direção e Arthur estava de costas para ela.
Mas pôde avistar vagamente o homem esboçar um pequeno sorriso de canto; ele parecia não rejeitar esse apelido e, inclusive, demonstrava condescendência.
— Você não sabe dar o fora ainda!
Alana despendeu apenas uma contemplada naquele tecido, com a censura severa estrondeando as suas conchas auditivas pelos vocábulos do rapaz que bradou aquilo a ela.
Alana encolheu seus dedos perante as petições redigidas atestando o ato de demissão dela própria de onde Beatriz investiu no seu agarre em puxões para lhe afastar dali.
Atrás dela, ainda podia ouvir o consolo gentil da garota: — Não fique bravo. Ela parece muito abatida, acho que não foi de propósito, talvez só não esteja bem. Trabalho está difícil de achar hoje em dia, dê mais uma chance a ela...
Ela não ouviu mais a voz do homem.
Não sabia como Isabella continuou a acalmá-lo.
Diante de sua mesa, Alana olhava para a carta de demissão e o pedido de licença em suas mãos.
Beatriz aproximou-se segurando um café e zombou: — É muito feio quando o corpo de uma mulher perde a forma depois da gravidez. É claro que meu irmão não ia suportar ver a Isabella ficar igual a você, por isso ele deixou que você carregasse essa criança. Você achou que realmente era a Sra. Campos, e quer se demitir para ir curtir a vida na Mansão das Águas? Ou queria testar se o meu irmão sentiria pena de você só porque está grávida?
— Pá!
Segurando a carta de demissão e o pedido, Alana bateu com força no rosto de Beatriz.

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