Alana sabia que, embora a criança em sua barriga já não existisse.
Aos olhos de todos, ela ainda era uma mulher grávida.
O corpo dela parecia tão pesado que não havia diferença de uma grávida de seis ou sete meses.
Todos tinham medo de machucar o bebê em sua barriga, especialmente porque Arthur estava presente. Por respeito à situação, os seguranças também não ousaram impedi-la.
Só que ela reuniu toda a coragem de sua vida e foi até a frente de Arthur, apenas para ouvir o homem falar impiedosamente: — Se quiser reclamar, resolva tudo com os advogados do Grupo Campos.
Alana congelou completamente no lugar.
O Grupo Campos gastava três bilhões por ano para manter uma equipe de advogados contratada por Arthur.
Desde que ele assumiu o Grupo Campos, essa equipe de advogados havia lutado dezenas de milhares de ações por ele, tanto no país quanto no exterior, sem nunca perder. Eles eram, indiscutivelmente, os números um do setor!
Agora, ele ia usar sua equipe de advogados contra ela.
Isso era o mesmo que dizer abertamente a ela que, mesmo que ela fosse incriminada ou acusada injustamente, ele não interviria.
Ele não se importava com ela, naturalmente não se importava se ela havia sido acusada falsamente ou não.
Até mesmo ignorava se ela estava grávida ou não, e também não se importava se isso a afetaria ou ao bebê em sua barriga.
Involuntariamente, os olhos de Alana avermelharam e os dedos cerrados ficaram brancos.
Já que é assim...
No momento em que o homem estava prestes a entrar no elevador, Alana levantou a cabeça e disse com a voz trêmula, usando toda a sua coragem: — Eu tive um aborto, nosso bebê se foi.
Eles já podiam se divorciar.
As portas do elevador apitaram 'ding' naquele momento, mas ninguém entrou.
No saguão, fez-se um silêncio ainda maior.
Porém, Arthur nem sequer moveu uma sobrancelha, muito menos olhou para Alana, apenas entrou no elevador.
Nesse momento, não se sabe quem deu uma risadinha, e todos começaram a rir junto. As risadas foram crescendo cada vez mais altas. Alana virou a cabeça e viu o desprezo e a zombaria estampados no rosto de todas as pessoas ali presentes.
Ela sabia que cada um deles estava rindo da sua presunção e a desprezando por tentar chamar atenção daquele jeito.
E como resultado? O Sr. Campos não se importou nem um pouco, tratando-a como uma palhaça, jogando-a ali sem nem se importar ou perguntar nada.
No entanto, os filhos dela... realmente se foram.
— Ah... — Alana levantou a mão para proteger a barriga, soltou uma risada de si mesma, e, ao virar o rosto, viu a tia da limpeza descendo com uma lixeira cheia de coisas que ela reconhecia.
Do outro lado da linha, ouviu-se o suspiro pesado de Avô Ricardo, o que mostrava o quanto ele estava furioso:
— Alana, você é a mais ajuizada, como pôde usar a criança que ainda nem nasceu para fazer uma birra? Dona Helena ainda está no templo rezando por você. Imagine como ela ficaria triste se soubesse que você disse isso! E sobre a perda causada pelo seu erro no trabalho, já me informei; não precisa se preocupar com a indenização. Agora, foque em ter o bebê primeiro, e não faça mais bobagens!
Dar à luz, e então deixá-la ser filha de Isabella?
As palavras que Alana inconscientemente queria perguntar ficaram todas entaladas na garganta.
No momento, ela não tinha nenhuma qualificação ou capacidade para questionar ou resistir.
Depois de garantir algumas coisas, Alana desligou o telefone.
Ela ficou debaixo do sol, segurando suas coisas, sentindo apenas um calor ardente e ofuscante.
Neste momento, o celular vibrou. Era uma mensagem de Henrique lembrando-a de que a exposição aeroespacial seria no dia seguinte e perguntando se ela ainda ia.
Alana se lembrou.
Antes, dedicada de corpo e alma em aprender a ser uma boa esposa, como passar as roupas de Arthur, como fazer a comida que ele gostava, já havia mudado de ideia de última hora diversas vezes.
Sem contar com Dona Helena, que lhe passava tarefas em cima da hora, mandando-a varrer, limpar janelas, lavar roupa e cozinhar.

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