Cada pessoa tinha um rosto tão bonito quanto uma flor de lótus, mas as palavras que saíam de suas bocas eram como as de um demônio.
Era o tipo de coisa que fazia o corpo inteiro sentir um frio que penetrava até os ossos.
"Katia, você enlouqueceu?"
Já era junho, mas o clima continuava longe de ser quente, ainda mais com aquela garoa fina que caía sem parar nos últimos dias.
Se fosse com qualquer outra pessoa, tudo bem.
Mas eu, que já tinha sido forçada a ajoelhar por cobradores de dívidas, fiquei com um problema nos joelhos e não podia pegar friagem. Ser obrigada a entrar na água nesse tempo era praticamente me tirar metade da vida.
E, além disso, eu tinha um medo extremo de água.
Katia desviou o olhar dos meus olhos. "A gente só está tentando te ajudar, sabia? Você já passou por tantos homens, não sente nem um pouco de vergonha?"
Enquanto falava, sua raiva foi aumentando e ela começou a repreender as outras.
"Vamos logo, por que estão paradas?"
Virei-me e corri, não dava para sair pela porta, mas pelo menos precisava me afastar delas.
Mas aquelas mulheres já tinham decidido me atormentar; não iam me deixar escapar. Alguém, não sei quem, colocou o pé para me derrubar.
Tropecei feio e caí no chão.
A palma da minha mão raspou no piso gelado e duro, causando uma dor ardente.
Logo em seguida, algumas delas seguraram meus braços e pernas, me arrastando pelo chão em direção à piscina. Meu rosto ficou pálido de medo e comecei a lutar com todas as minhas forças.
"Katia, isso é crime!"
"Que crime, menina? Ninguém está fazendo nada contigo, só estamos brincando um pouco. E outra, você não sabe nadar?"
Katia cruzou os braços e ficou parada à beira da piscina.
Parecia uma pequena princesa, elegante e altiva.
Enquanto eu, era como um cachorro morto sendo arrastado e jogado sem piedade dentro da piscina!
No instante em que caí na água, senti como se tivesse mergulhado em um mundo sem som, a água me envolvendo de todos os lados.
Ela invadiu meu nariz, ouvidos e boca, a dor sufocante me fez me debater ainda mais.
Mas logo, uma pontada aguda atravessou meu joelho, e minhas pernas, do joelho para baixo, pareciam anestesiadas. Minha visão começou a escurecer.
Com o último fio de força, consegui pôr a cabeça para fora d’água.

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