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Mentira Nua romance Capítulo 147

"O que você está fazendo?"

Minha voz estava tão rouca que parecia irreconhecível.

A multidão que assistia se abriu para mim, e Dona Camila veio rapidamente, segurou minha mão e sussurrou: "Fale logo com seu pai, peça para ele ir embora, pare com essa confusão, se a chefia vir isso, depois é você quem vai ser repreendida."

Francisco gritou em voz alta: "É claro que eu vim ver o que essa filha ingrata vai fazer comigo. Eu me sacrifiquei tanto para te criar, te dei estudo, comida, e agora que você cresceu, ficou independente, é assim que me retribui?"

"Você me expulsou de casa, trocou a fechadura, se recusa a me ver, não me dá dinheiro. Fui agredido, estou todo machucado, não posso trabalhar, não tenho onde morar. Você quer mesmo que eu morra na rua?"

Essas palavras enganaram facilmente a multidão ao redor.

"Poxa, que filha mais ingrata!"

"Como pode tratar o próprio pai assim? Ele fez tanto por ela, dava até para ter criado um pedaço de picanha no lugar dela!"

"É demais, senhor, você devia processá-la!"

"É isso mesmo, quem não respeita os pais tem que ir pra cadeia!"

...

As acusações da multidão me afogavam. Minha cabeça zumbia, e eu já não conseguia ouvir direito, as vozes ao redor ficavam distantes e confusas.

Mas a figura diante de mim apenas se tornava mais nítida.

"Você não sente nenhum peso na consciência dizendo essas coisas?"

"Eu? Peso na consciência? Quem deveria sentir isso é você! Eu sou seu pai, e não importa o tempo que passe, você tem o dever de cuidar de mim. Se você não se importa comigo, é porque não tem respeito. Se alguém aqui deveria se envergonhar, esse alguém é você, Cristina. Eu não te devo nada!"

Achei que veria algum sinal de culpa ou hesitação no rosto de Francisco, mas subestimei sua ousadia. Sua cara de pau e talento para encenar eram realmente impressionantes.

Como ele conseguia dizer tudo aquilo sem mudar de expressão?

Ele não me devia nada?

Ele chorava copiosamente, como se estivesse com o coração partido.

As pessoas, sem saber a verdade, se deixavam enganar facilmente por ele.

Por um instante, pensei em expor tudo o que Francisco já havia feito, revelar para todos que tipo de homem ele era como pai, marido, filho.

Mas Dona Camila puxou minha blusa discretamente.

"Primeiro faça ele ir embora, não pode continuar essa confusão, a chefia já ficou sabendo."

Ela me mostrou o celular.

Na tela, uma mensagem do chefe:

[O que está acontecendo na portaria? Resolva isso agora, ou eu mesmo vou aí.]

Se o chefe viesse, eu, que era o centro dessa confusão, certamente seria repreendida. Talvez até perdesse o emprego.

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