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Mentira Nua romance Capítulo 172

"Uhum."

Depois que Thiago saiu, comecei a trabalhar.

Fiquei ocupada até o meio-dia. Olhei o relógio e lembrei que amanhã, quarta-feira, seria o dia da nossa reunião semanal de equipe. Liguei para Thiago.

Ele atendeu, mas antes que eu dissesse qualquer coisa, Lidia apareceu.

"Dona Duarte..."

Ela me olhou com muito cuidado.

Tapei o microfone do telefone. "Você precisa de alguma coisa?"

"Dona Duarte, você vai marcar a reunião de amanhã?"

"Uhum."

"Deixa que eu faço isso!"

Ela entrou na sala sem pedir licença, com um sorriso bajulador no rosto.

Thiago, do outro lado da linha, também ouviu. "Então, chefe, vou voltar ao trabalho."

Depois disso, não tinha mais como insistir para que fosse ele a organizar a reunião. Apenas desliguei. Não imaginei que Lidia continuaria ali.

"Mais alguma coisa?"

Apesar de não haver provas concretas ainda, ela era a principal suspeita de ter prejudicado minha avó. Eu simplesmente não conseguia manter a calma diante dela, nem abaixar minha guarda.

Lidia parou, olhando para mim com aqueles olhos pidões.

"Dona Duarte, é por causa do relatório que eu estraguei na apresentação para os acionistas...?"

De novo isso.

Toda vez que cometia um erro, ela fazia essa cara de vítima.

Uma ou duas vezes dava para aguentar, mas já estava ficando demais — minha paciência tinha limite.

"Lidia." Massageei as têmporas e falei com seriedade: "Eu sei que você tem quem te apoie, mas precisa entender uma coisa: todos, menos você, levam esse projeto muito a sério. Todo mundo está dando o máximo, se esforçando de verdade. Quero que você também dê tudo de si, com força e determinação. Não desperdice o trabalho dos outros."

O rosto dela ficou pálido, a voz baixinha: "Eu entendi, Dona Duarte."

Com aquele ar de coitada, se fosse um homem, talvez sentiria pena.

Mas não era o caso.

Falei friamente: "Você não precisa se desculpar comigo, nem tentar me agradar. Não importa se te perdoo ou não."

"Dona Duarte..."

Ela percebeu o tom de distanciamento e ficou ainda mais pálida.

Não quis mais manter as aparências. "Seu erro prejudicou os colegas e manchou a imagem do Gregorio, não tem nada a ver comigo. Bom, tem sim — porque fui eu quem tive que assumir o seu problema."

Os olhos dela começaram a brilhar de lágrimas.

Mordeu o lábio, cheia de mágoa.

Realmente, uma cena de dar dó.

Mas, por dentro, eu não sentia nada. "Pode sair, tenho trabalho."

Virei de costas, sem querer continuar a conversa.

Foi então que ouvi a voz surpresa dela: "Gregorio?"

Me virei de repente. Meu olhar passou de Lidia para Gregorio. Que coincidência mais estranha — impossível não desconfiar.

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