"Gregorio, o que você está fazendo aqui?"
Mas o olhar de dúvida e surpresa no rosto da Lidia não parecia ser fingido.
Preferi apenas ficar em silêncio, observando.
Gregorio, por sua vez, olhou para mim: "Sobre o que vocês estavam discutindo agora?"
Lidia olhou para mim instintivamente, depois abaixou a cabeça, enxugou os olhos e tentou disfarçar: "Não estávamos discutindo nada, só conversando um pouco. Gregorio, pode ir na frente. Vou conversar rapidinho com a Sra. Duarte e já te encontro."
Gregorio franziu o cenho: "Você estava chorando?"
Ha.
Parece que nem por um segundo conseguem ficar separados.
Olhei para os dois, com todo aquele clima de romance, e senti um incômodo por dentro. "Diretor Marques, que bom que chegou. Tenho trabalho para fazer agora. Poderia levar sua namorada daqui, por favor?"
Para não atrapalhar o ambiente!
Mesmo sem dizer explicitamente, qualquer um entenderia o recado.
Lidia mordeu o lábio. "Sra. Duarte..."
Gregorio, vendo o jeito dela, franziu o cenho e me lançou um olhar frio: "Eu já não te disse para não maltratar ela?"
"Eu maltrato ela?"
Cheguei a duvidar dos meus próprios ouvidos.
Como alguém podia dizer algo tão... descarado?
Gregorio puxou Lidia para trás de si. "E não é verdade? Toda vez que ela te encontra, sai com os olhos vermelhos. Da última vez, você ainda..."
Ele hesitou por um segundo.
"Da última vez, vou deixar passar. Mas não quero ouvir mais esse tipo de absurdo vindo de você."
"Absurdo?"
Meu coração se gelou de vez.
Então, aquela denúncia, para ele, não passou disso.
"Você chegou a investigar?"
Ele olhou para Lidia, depois me lançou um olhar de advertência. "Não quero falar sobre isso agora."
"Então não temos mais nada para conversar."
Virei de costas, pronta para trabalhar.
Ignorando completamente os dois.
Se olhasse mais um pouco, talvez não me controlasse e acabasse dando um tapa nele.
Mas eles também não foram embora. Em meio ao silêncio, Gregorio falou de repente: "Lidia, pode ir na frente."
Ele me fitou o tempo todo, com aqueles olhos escuros que pareciam querer me devorar. Depois de um longo instante, soltou:
"Vem comigo, vou te mostrar o resultado."
"Só não diga depois que se arrependeu."
Arrepender?
O que eu teria para me arrepender?
Cerrei os dentes: "Vamos!"
Porém.
Não precisava que ele me conduzisse.
Soltei minha mão da dele. "É no seu escritório, né?"
Ele não respondeu.
Mas também não negou.
Então fui direto para o escritório dele, evitando as pessoas de propósito. Percebi que, em algum momento, já não queria mais ser associada a ele.
Onde dava para traçar um limite, não havia razão para cruzá-lo.
Ele segurava um dossiê nas mãos e, um segundo antes de me entregar, ainda me advertiu: "Cristina, vou dizer só mais uma vez: se você não quiser ver esse documento hoje, posso fingir que nada aconteceu."

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