Tirei a roupa e entrei no banheiro para tomar um banho quente.
Quando saí, minha cabeça já havia esfriado.
Não adiantava se sentir injustiçada ou guardar rancor: se o sentimento acabou, acabou.
O passado, bem, tinha chegado ao fim.
Depois de entender isso, deixei aquelas duas figuras para trás e mergulhei no escritório.
Precisava preparar uma apresentação de slides – o dia de negociar com o cliente era depois de amanhã, e a importância desse PPT nem precisava ser dita.
Na verdade, já devia ter feito isso hoje.
Mas, por causa daquela festa estranha e sem sentido, só me restou adiar e trabalhar à noite.
Imersa no trabalho, percebi o quanto aquela angústia de antes era ridícula – tudo não passava de um relacionamento fracassado do passado.
Não valia a pena pensar mais nisso.
O trabalho era importante, ganhar dinheiro era o que importava!
Fiquei tomada de energia, e trabalhei até altas horas da madrugada.
Quando acordei no dia seguinte, ainda faltava um terço do PPT. Decidi terminar no escritório. Assim que cheguei, encontrei Nelson.
Ele me entregou um documento.
"Eu sei que você vai negociar com o cliente em breve. Acho que vai precisar disso."
Dentro, estavam todos os dados da empresa do cliente, de forma bem detalhada.
Foi como receber água no deserto.
"Obrigada!"
"De nada, vai lá, corre pra trabalhar."
Assenti e, sem conseguir esconder o entusiasmo, me virei em direção à minha sala. Mas, de repente, ouvi uma voz hesitante atrás de mim.
"Cristina, você quer almoçar comigo hoje?"
"Quero, sim."
Receber aquele material me deixou de bom humor, aceitei sem pensar.
Depois, acrescentei:
"Eu te convido."
Nelson sorriu com doçura. "Combinado."
Entrei no elevador, e, pelo canto do olho, vi duas pessoas: Gregorio e Lidia. Lidia parecia querer falar comigo e apressou o passo em minha direção.
Já Gregorio...
Seu rosto mantinha aquela expressão fria e distante de sempre.

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