Saí da empresa com passos apressados, sentindo o peso da sacola dentro da bolsa como se carregasse um segredo perigoso.
As palavras de David martelava na minha mente, soando mais como uma advertência do que como simples preocupação. Ele parecia desconfiado.
Será que eu deixei transparecer alguma coisa? – Me questionei enquanto escutava meus saltos baterem no chão.
Enquanto eu caminhava até a calçada, respirei fundo tentando organizar os pensamentos. Joseph, aquela conversa interrompida, o sorriso estranho... e agora, a xícara escondida.
“Eu não estou ficando louca”
“Preciso de respostas.”
Peguei o celular e procurei rapidamente o endereço de um laboratório particular a caminho da casa do professor, enquanto estendia o dedo para parar um táxi.
Meu ventre formigava e minha mente me culpava pela paranoia. Eu precisava acabar com isso logo!
O trânsito parecia mais lento que o normal, ou talvez fosse só minha ansiedade.
A cada sinal fechado, minhas mãos tremiam um pouco mais e eu as tamborilava nos joelhos.
Eu lembrava de fragmentos do passado, lembranças soltas de festas da faculdade, noites que terminavam cedo demais... ou que eu simplesmente não lembrava como terminaram.
—Eu sou muito lerda! – Resmunguei me lembrando detalhadamente da imagem do Homem com quem eu dormi. Os contornos do corpo, o cheiro, a forma como ele me tocava...
Naquele momento, senti meu peito queimar.
Eu queria gritar, fugir e ao mesmo tempo... Ficar.
Ficar porque, encontrar o pai da Charlie era tudo o que eu queria. E se for ele, se for confirmado... Como não percebi algo que estava bem debaixo do meu nariz?
—Senhorita, chegamos! – Disse o motorista, parando o carro em frente a clínica.
Paguei pela corrida e desci do carro apressada, segurando a xícara dentro da bolsa, como se tivesse acabado de sair de um banco com uma alta quantia em dinheiro.
Parei em frente a porta e levei os olhos para o alto, vendo o letreiro do lugar: “Life and Health”.
Entrei no saguão e caminhei até a recepção.
Uma atendente levantou os olhos do computador e sorriu educadamente.
— Boa tarde, em que posso ajudar? – Perguntou ela com gentileza e classe.
Olhei para a xícara, depois para ela, e minha voz saiu quase como um sussurro:
— Eu preciso fazer um exame de DNA. Como faço?
Ela sorriu.
—Me dê seus documentos e eu já te passo a taxa. – Disse ela me estendendo a mão.
Hesitei um pouco e respirei fundo, a entregando meu documento, mas antes de anotar os dados, ela se levantou e cochichou.
—Por acaso...é sigilo?
—Sim! – Respondi aflita a vendo sorrir.
—Me dê um nome para colocar aqui, mas vou colocar os números do seu documento.
—Anitta. – Respondi a vendo assentir.
—Certo Anitta. – Disse ela, me entregando uma senha. —Vá até o fim do corredor e entregue os materiais.

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