Meu peito doía tanto que parecia uma ferida aberta. Sair dali foi a coisa mais difícil do mundo, e meus pés me levaram direto para o bar do hotel.
Olhei para o barman e pedi um uísque puro. Forte. O primeiro copo desceu queimando a garganta, mas pedi o segundo, depois o terceiro. Depois de várias doses, minha cabeça começou a rodar, mas a humilhação continuava ali, nítida na minha mente.
Do meu lado, um homem falava alto ao celular, discutindo com alguém, mas nem prestei atenção. Quando decidi sair dali, peguei a chave que estava em cima do balcão achando que era a minha. Subi pelo elevador no piloto automático. Abri a porta do quarto e percebi que as minhas malas não estavam lá, mas eu estava tão tonta e anestesiada pela bebida que nem liguei.
Ia virar para sair, mas travei. Parado bem na minha frente, prestes a entrar, estava o mesmo homem do bar. Sem a distração do celular, o tamanho dele me assustou. Ele era muito alto, forte, e tinha uns olhos de um azul tão intenso que chegava a ser perigoso.
Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ele deu um passo para dentro e bateu a porta, me prensando contra a parede.
O susto me fez perder o fôlego.
— Ei! O que é isso? Me solta! — reclamei, empurrando o peito dele com as duas mãos, mas o cara parecia uma parede de pedra.
— Por favor, me ajuda... — a voz dele saiu grossa, arrastada, num sussurro que arrepiou meu corpo todo.
— Eu estou queimando... preciso de você.
— Você está louco? Sai de cima de mim, eu não te conheço! — gritei, virando o rosto quando ele tentou se aproximar. Comecei a me debater, mas o calor que vinha dele era absurdo, e o álcool na minha cabeça me deixava lenta.
— Não importa... — ele rosnou, prendendo meus pulsos com firmeza, olhando fixo nos meus olhos.
Ele colou a boca na minha com uma força que me pegou de surpresa. No segundo em que nossos lábios se tocaram, o medo sumiu. Eu nunca na vida tinha sido desejada daquele jeito, com tanta urgência. Aquele homem parecia estar pegando fogo, e o beijo dele, faminto e possessivo, acabou me incendiando também. Minhas mãos, que antes tentavam empurrá-lo, agarraram os ombros dele, me entregando ao toque.


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