— Tire a roupa e deite-se!
A voz masculina soou grave e gélida.
O coração de Franciele Duarte deu um salto no peito.
Ela não sabia quando havia contraído aquela condição indescritível e vergonhosa.
Quando as crises atacavam, um desejo incontrolável tomava conta de seu corpo.
Não importava a hora ou o lugar, sua vida profissional e pessoal estavam sendo gravemente afetadas.
Exausta de tanto sofrimento, Franciele reuniu toda a sua coragem e marcou uma consulta ginecológica naquela clínica particular exclusiva.
Ela escolheu o local justamente pelo rigoroso sigilo, mesmo sabendo que o valor da consulta era várias vezes maior do que em um hospital comum.
Mas ela tinha marcado consulta com a médica-chefe, uma mulher na faixa dos quarenta anos. Então por que, na hora do atendimento, havia um médico jovem e alto diante dela?
— É... realmente necessário tirar a calça?
Franciele perguntou com cautela, visivelmente nervosa.
Ter que se despir diante de um homem estranho, mesmo sabendo que ele era um profissional de saúde, causava-lhe um constrangimento indescritível.
Nelson Sampaio manteve uma postura estritamente profissional:
— Se não tirar a calça, como poderei examiná-la?
— Mas é que eu...
Franciele corou intensamente, remexendo-se desconfortável.
Embora o homem estivesse usando máscara, seu olhar afiado parecia excepcionalmente profundo e enigmático.
De repente, ela teve a estranha sensação de que ele poderia prensá-la contra a maca e dominá-la.
Franciele balançou a cabeça rapidamente.
Meu Deus!
Como podia estar pensando em uma coisa dessas?
Ele era apenas um médico que examinava dezenas de pacientes como ela todos os dias.
Aquilo era apenas a rotina de trabalho dele.
Tentando se acalmar, Franciele engoliu a vergonha, abaixou a calça lentamente e deitou-se na maca.
— Onde exatamente sente o desconforto?
Nelson perguntou enquanto preparava os instrumentos esterilizados.
O rosto de Franciele ardeu em rubor novamente:
— Eu... ali embaixo...
Vendo que ela não conseguia continuar, Nelson perguntou calmamente:
— Excesso de atividade sexual? Sofreu alguma lesão?
A maioria das mulheres jovens que procurava atendimento ginecológico apresentava esse tipo de problema.
No entanto, Franciele balançou a cabeça, o rosto em chamas:
— Não, eu não tenho vida sexual...
Nelson interrompeu o que estava fazendo e virou-se para encará-la, surpreso.
A garota à sua frente tinha traços delicados, uma pele tão macia que parecia feita de porcelana, e uma beleza que misturava encanto inocente e pura sensualidade.
Era o tipo de rosto que deixava uma marca inesquecível à primeira vista.
Uma mulher tão deslumbrante certamente tinha uma fila de pretendentes. Como ela podia afirmar que não tinha vida sexual?
— Eu... eu sinto... uma aflição... um incômodo... bem ali...
Mas aquilo claramente não era suficiente.
Ela queria mais.
Precisava de muito mais.
Nelson observou suas reações:
— Você é casada?
Franciele assentiu instintivamente.
Por algum motivo, ele sentiu uma leve pontada de decepção.
O olhar de Nelson escureceu:
— Deite-se primeiro, vou fazer o exame!
Franciele deitou-se obedientemente.
Suas mãos delicadas apertaram-se em punhos cerrados.
Sentia o rosto arder de vergonha.
Nelson a observou atentamente, sua voz soando inexplicavelmente mais rouca:
— Não se mexa!
Franciele continuou calada.
A vergonha de Franciele já estava no limite.
Naquele estado, como ela conseguiria ficar parada enquanto ele a examinava?
— Não poderia pedir para uma médica me atender?

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