Ela fez o pedido com evidente constrangimento.
Os olhos de Nelson tornaram-se ainda mais sombrios:
— Não está satisfeita com o meu atendimento?
— N-não... não é isso...
Franciele apressou-se em explicar.
Mas antes que pudesse terminar, foi friamente interrompida:
— A consulta de hoje é comigo. Se não quiser ser atendida, a porta está ali.
Que homem grosseiro.
Ela com certeza faria uma reclamação contra ele depois.
No entanto, o seu problema não podia mais esperar.
Ela teria que confiar no profissionalismo dele desta vez.
— Não foi o que eu quis dizer. Doutor, por favor, me ajude a resolver isso.
Franciele suplicou.
Era a primeira vez que Nelson estava ali cobrindo um turno.
Quem imaginaria que ele se depararia logo com uma paciente tão peculiar?
O caso dela já era delicado por si só... e, para piorar, ela era incrivelmente atraente...
Aquilo era um verdadeiro teste para o autocontrole dele.
— Menos conversa!
Ele a repreendeu com a voz grave, engolindo em seco novamente.
Colocou as luvas, pegou o material esterilizado e aproximou-se lentamente...
Completamente envergonhada, Franciele não resistiu e fechou os olhos.
Nem o seu próprio marido, Givaldo, a tinha visto daquele jeito.
E agora estava sendo exposta a outro homem.
Mesmo sabendo tratar-se de um médico, era uma barreira psicológica muito difícil de superar.
— Ah!
Franciele não conseguiu conter um pequeno gemido.
O som saiu doce e carregado de sensualidade.
Um arrepio subiu pela nuca de Nelson. Seu corpo enrijeceu e ele recuou a mão de leve.
— Eu machuquei você?
Os belos olhos de Franciele estavam úmidos, marejados.
Ela abriu os lábios avermelhados, mas não encontrou palavras para se expressar.
A razão dizia que ela precisava se controlar, mas o corpo reagia por conta própriaa...
Aquele ar frágil e indefeso seria capaz de abalar qualquer um.
— Serei mais gentil.
— Obrigada, doutor.
Assim que ela cruzou a porta do consultório, uma médica de jaleco branco entrou pelos fundos.
— Nelson, você aproveitou a minha ausência para atender os meus pacientes?
Loreta Sampaio, que havia chegado bem na hora, repreendeu o irmão com indignação.
Nelson respondeu calmamente:
— Não se esqueça de que eu sempre tirava notas melhores do que você na faculdade. Atender seus pacientes hoje já é favor demais. E, além do mais, este hospital agora é meu.
— Ora, seu...!
Loreta fuzilou-o com o olhar.
Esse moleque era mestre em inverter os papéis.
Mas seu irmão sempre fora extremamente exigente com higiene e mantinha distância de mulheres. O fato de ele ter atendido uma paciente feminina por conta própria era, no mínimo, curioso!
— Já que a minha presença não é bem-vinda, estou de saída!
Nelson colocou uma das mãos no bolso, seus olhos fixos na direção por onde Franciele havia desaparecido.
— Saída, coisa nenhuma! Eu chamei você aqui hoje para conhecer a Dra. Leitão, a nova cardiologista da clínica. Ela é jovem, belíssima, e uma profissional de excelência. É a joia da nossa equipe e, o mais importante, está solteira, sem namorado...
Loreta correu para impedir a saída do irmão, insistindo na recomendação.
— Depois conversamos.
Desinteressado, Nelson deu uma desculpa qualquer e foi embora.

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