Franciele franziu o cenho.
Ela não conseguia acreditar que, mesmo naquela situação, a mãe ainda estivesse defendendo Eliana.
— Se não tem nada a ver com a Eliana, então por que a senhora foi amarrada aqui? — rebateu, contendo a raiva.
O rosto pálido de Mafalda ficou rígido por um instante.
— Porque...
Ela gaguejou por muito tempo, sem conseguir inventar uma desculpa.
Até que, por fim, suas forças se esgotaram e ela desmaiou.
...
No hospital.
Franciele fazia vigília ao lado da cama.
A enfermeira já tinha colocado Mafalda no soro.
O médico terminara todos os exames.
Fora o ferimento na testa, não havia marcas muito visíveis em seu corpo.
Mas, por ter ficado dias amarrada e sem comer, além da idade avançada, Mafalda precisaria permanecer internada em observação.
Nelson já providenciara uma cuidadora particular.
Mesmo assim, Franciele não conseguia ficar tranquila e insistiu em ficar ali até a mãe acordar.
Mas o trauma tinha sido grande, e Mafalda continuava mergulhada num sono pesado.
De vez em quando, murmurava o nome de Eliana.
Franciele tinha certeza de que aquela tragédia envolvia sua irmã.
Chegou a desconfiar de que Eliana usara o aniversário como pretexto para trancar a mãe no clube, atraindo-a para lá a fim de usá-la como isca e jogá-la nas garras de Fernando.
Embora ela própria tivesse conseguido se salvar esfaqueando Fernando, a crueldade daquela armadilha era inegável.
Como Eliana, sua meia-irmã, teve coragem de entregá-la para ser violentada?
E sua mãe, Mafalda, sempre tratou Eliana como se fosse filha dela de verdade.
Desde pequena, o amor que dedicava a Eliana sempre tinha sido maior do que aquele que dava a Franciele.
Como Eliana podia ser tão cruel a ponto de manipular e machucar justamente a mulher que a criou?
— Eliana!
Enquanto Franciele fervia de indignação, Mafalda gritou o nome da irmã e abriu os olhos.
— Mãe, a senhora acordou?
Uma alegria genuína tomou conta de Franciele, que se inclinou para segurar a mão da mãe.
Mas, ao ver quem estava ali, a expressão de Mafalda esfriou.
— O que você está fazendo aqui? Cadê a Eliana?
Ela puxou a mão de volta e perguntou com impaciência.
Aquelas palavras gelaram o coração de Franciele.
Seu nariz ardeu, e ela precisou segurar o choro.

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