O sorriso morreu no belo rosto de Franciele.
Givaldo não ignorou o brilho de decepção que atravessou o olhar da esposa.
Mesmo assim, moveu os lábios friamente:
— Desculpe, mas já lhe disse várias vezes: tenho aversão a contato físico e sujeira!
Franciele suplicou, aflita:
— Mas, amor... eu...
Com o corpo à beira do limite, ela precisava desesperadamente daquele contato para se sentir melhor.
Não aguentava mais!
— Por favor, faça isso só pra me ajudar... Amor... estou me sentindo tão mal...
Ela mordeu o lábio inferior, lançando-lhe um olhar úmido e suplicante.
Sua respiração tornou-se ofegante.
Ela queria muito.
Sua mente estava inteiramente tomada por aquele desejo incontrolável.
Era impossível se conter.
Givaldo franziu o cenho.
Sentiu profundo desgosto ao vê-la agindo de maneira tão atirada à sua frente.
E repreendeu-a com aspereza:
— Se está tão desesperada assim, dá seu jeito sozinha.
As palavras frias e cheias de desprezo atingiram em cheio a parte mais vulnerável do coração de Franciele.
Mas Givaldo foi completamente indiferente à expressão magoada no rosto dela.
E avisou, com frieza:
— E de agora em diante, não vista mais esse tipo de coisa na minha frente!
O brilho dos olhos marejados de Franciele apagou-se instantaneamente.
Uma dor pungente e amarga espalhou-se por seu peito.
O seu próprio marido ainda se recusava a tocá-la.
— Eu entendi.
Ela respondeu baixinho, de cabeça baixa.
A sua voz soou completamente sem forças.
— E, a partir de hoje, você não vai mais dormir no mesmo quarto que eu.
Givaldo lançou-lhe mais um olhar enojado.
Franciele ergueu o rosto, chocada.
— Como assim, querido?
Ele estava pedindo para dormirem em quartos separados?
— Vou dormir no quarto ao lado. De agora em diante, não entre no meu quarto sem a minha permissão.
Após o aviso implacável, Givaldo saiu da cama e deixou o aposento sem olhar para trás.
Por que diabos estava pensando naquele médico?
Ela era casada, tinha um marido.
No entanto, não conseguia impedir que sua imaginação divagasse para outro homem.
Desde quando havia se tornado tão atrevida e sem pudores?
Mas a verdade era que Givaldo se recusava terminantemente a tocá-la.
Ter ou não marido, a essa altura, não fazia a menor diferença.
Incontrolavelmente, os pensamentos de Franciele voltaram para o médico.
Especialmente para o momento na saída do hospital, quando ele a convidara para entrar no carro.
Ela tinha visto o rosto dele sem máscara.
E ele era muito, muito bonito.
Chegava a ser mais charmoso que Givaldo.
E se ela cedesse aos desejos com ele...
Franciele cortou os pensamentos pecaminosos mais uma vez.
Por mais que Givaldo a rejeitasse, ela não devia fantasiar com outro.
Aquilo era, no mínimo, uma traição emocional.
Porém, ela não tinha mais forças para lutar contra os próprios instintos.
Com as mãos trêmulas, abriu a gaveta do criado-mudo e tirou de lá de dentro o seu...

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