No instante seguinte, Vanessa acordou assustada.
Ela respirava com dificuldade, como alguém que estava se afogando. Seu olhar estava desfocado, e o zumbido em seus ouvidos demorou um pouco para desaparecer.
O celular não parava de tocar. Ela olhou para o relógio na parede e viu que eram apenas seis da manhã. Quem estaria ligando àquela hora?
Ao ver quem era, ela franziu a testa e atendeu com a voz rouca de quem tinha acabado de acordar: — ...Mãe, o que foi?
Helena falou em um tom animado. Dava para ouvir o som de crianças brincando ao fundo: — Vanessa, a Bianca trouxe um presente do exterior e quer entregar para você. Venha tomar café da manhã aqui.
Vanessa ficou em silêncio por um instante, levantando a mão para massagear as têmporas doloridas.
— Mãe, não dormi bem essa noite. Não estou me sentindo bem, será que eu não posso...
Antes que ela pudesse terminar a frase, a voz doce e sorridente de Bianca soou na linha: — Mãe, o André quer ver o meu álbum de fotos de quando eu era criança. Não me diga que ainda está trancado no cofre do papai?
Helena respondeu a ela às pressas. Logo em seguida, a ligação foi encerrada e só sobrou o som de linha ocupada.
……Deixa para lá.
Vanessa se recompôs, saiu da cama e foi fazer sua higiene matinal.
Alice tinha aula de dança de manhã, então ela passaria na Mansão Campos para buscá-la.
Uma hora depois, Vanessa chegou à Mansão Campos. Na sala de estar, Bianca estava recostada no ombro de Helena, conversando intimamente com os pais.
A menininha, que estava montando blocos com André ali do lado, foi a primeira a vê-la e logo gritou, animada: — Mamãe, você chegou!
A pequena tinha os mesmos olhos grandes de Vanessa e uma pele extremamente clara. Ao sorrir, apareciam duas covinhas que a deixavam extremamente fofa e cativante.
Era Alice, a filha de quatro anos de Vanessa.
Ao vê-la, os olhos de Vanessa se encheram de carinho. Ela se abaixou e abriu os braços. Imediatamente, a menina correu para abraçá-la.
Vanessa pegou a filha no colo, sorrindo, e deu um beijo no rostinho dela: — Você sentiu saudade da mamãe?
A menina assentiu com força, repetindo sem parar que sim.
Helena observava o pai e a filha transbordando de alegria. Mas, quando seu olhar recaiu sobre Vanessa, o sorriso diminuiu, sendo substituído por um tom mais formal.
— A casa é grande. Se tiver tempo nos finais de semana, você pode trazer a Alice para passar uns dias. As crianças ficam mais animadas juntas. A propósito, o André e a Alice vão estudar no mesmo colégio depois do ano novo. Alice, você precisa proteger bastante o André.
Ao ouvir isso, Alice bateu no peito, imitando um adulto: — A Alice é muito boazinha, não vai deixar ninguém mexer com o André!
Ela ainda era muito pequena e não falava perfeitamente. Esse jeitinho fez todo mundo dar risada.
Vanessa fez carinho na cabeça da filha com ternura. Lançando um olhar para a cozinha, onde a refeição ainda não havia sido servida, ela se levantou: — Vou arrumar as malas.
O quarto dela ficava no terceiro andar.
Assim que saiu do elevador, viu Arthur encostado na grade do terraço, fumando. A brasa do cigarro piscava sob a luz da manhã.
Ao ouvir os passos, Arthur virou-se no mesmo instante. No momento em que seus olhares se cruzaram, Vanessa sentiu um aperto no peito e virou as costas com o rosto fechado, tentando sair o mais rápido possível, mas o homem falou de repente:
— A Alice... é minha filha?

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