Vanessa parou de andar e riu: — Tenho certeza de que a Família Campos já explicou tudo para você, Sr. Valente.
Os pais biológicos de Alice morreram em um acidente quando ela ainda era bebê. Ela estava prestes a ser mandada para um orfanato, mas Vanessa não suportou a ideia e acabou adotando a menina.
Arthur a olhou por alguns segundos. De repente, apagou o cigarro e caminhou até ela com suas pernas longas.
— Na época em que éramos casados, nós tentávamos ter um filho, existia uma chance real de ela ser minha, e a idade da Alice coincide com esse período. É completamente normal que eu desconfie da situação.
O olhar superior de Arthur carregava uma certa avaliação. Ele mantinha a postura de quem estava no controle. — Eu tenho os meus meios para investigar, mas queria ouvir da própria Srta. Campos.
Vanessa respirou fundo, segurando a irritação, e ergueu os olhos para encará-lo diretamente: — Não.
— Não vou repetir a história da Alice. Você investiga como quiser, não é problema meu. Mas pense pelo outro lado, Sr. Valente. Considerando o quanto meus pais mimam a Bianca, se a Alice fosse realmente sua filha, eles a esconderiam no fim do mundo para não deixarem que nós duas atrapalhássemos o casamento de vocês.
Ela cruzou os braços e deu um passo à frente. Deu um sorriso frio e disse: — E além disso, de onde você tira toda essa audácia de achar que eu teria tido um filho do homem que me traiu e destruiu toda a minha vida?
Assim que ela falou isso, o clima ficou pesado.
Arthur ficou com a expressão rígida, encarando-a por muito tempo sem dizer nada.
Durante o impasse, a voz de Bianca ecoou lá de baixo: — Arthur, o café está pronto! Desça logo.
Vanessa desviou o olhar dele e viu Bianca no quintal segurando André. Ela olhava para o terraço com o rosto delicado tomado por uma tensão visível.
Ninguém respondeu. Apenas Arthur olhou para ela e pediu à babá que a alimentasse.
Eles estavam conversando sobre Bianca. Há alguns anos, ela machucou o braço praticando esportes radicais. Apesar de já ter se curado, durante as apresentações no exterior, o braço ainda tremia e ela acabava cometendo erros. Por conta disso, foi diagnosticada com transtorno de estresse pós-traumático.
Helena puxou a filha para perto, consolando-a com pena, e perguntou em tom de reprovação: — Naquela época, vocês não conseguiram um convite para o Hospital Mental Museu? Arthur, você não levou a Bianca para se consultar com o Dr. Sebastian?
Bianca mordeu os lábios. Com os olhos ligeiramente vermelhos, defendeu Arthur em voz baixa: — Mãe, a culpa não é do Arthur. O Museu é um centro internacional de ponta e só faz pesquisa, não atende pacientes. Quando fomos lá, o assistente viu que os convites não eram nossos e não nos deixou entrar de jeito nenhum, por mais que a gente implorasse...
— Voltamos dessa vez porque o Arthur descobriu que vai ter um congresso de psicologia muito importante aqui na cidade. O Dr. Sebastian e seus alunos vão estar presentes. Fiquei sabendo que ele aceitou uma aluna nova chamada Vanessa, especializada em transtorno de estresse pós-traumático. Os artigos dela são bem práticos, e meus médicos no exterior disseram que, se ela me tratar, eu com certeza vou melhorar. Mas ela é bem discreta, pouca gente já viu o rosto dela.
Ao falar de Vanessa, os olhos de Bianca brilharam de esperança. Ela olhou timidamente para Arthur e jurou a si mesma que precisava voltar aos palcos para ser verdadeiramente digna dele.

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