PERSPECTIVA DA SERAPHINA
Meu coração batia tão forte que eu mal podia ouvir quando a Alina falou.
'Chegue mais perto', ela respondeu, calma em contraste com o meu caos. 'Perto o suficiente pra eu ver o que você não consegue. Perto o suficiente pra sentir o ritmo do lobo dele.'
Minha boca ficou seca. Perto do lobo do Kieran, uma fera feroz cuja pata quase quebrou as minhas costelas há poucos minutos.
Eu queria confiar nela. Pelos deuses, eu precisava confiar nela. Mas, mesmo com a sua certeza, ela não prometeu vitória.
Ela não disse quando ou como. Apenas que havia um jeito.
Mas, que escolha eu tinha? Nós já havíamos aprendido da pior maneira que o resto do time não podia vencer o Ashar. Seríamos derrotados repetidas vezes.
Esse era o único caminho a seguir.
Forcei a minha respiração a ficar mais calma e encarei os meus colegas de equipe.
Eles estavam juntos, cuidando das suas feridas, com o cansaço e o desespero estampando os seus rostos.
Endireitei os ombros. "Vamos tentar de novo."
Roxy soltou uma gargalhada aguda, quase histérica. "Tentar de novo? Perdi alguma coisa? O que mudou entre agora e o momento em que fomos derrotados como crianças numa arena de treinamento?"
Apesar do sangue que ainda escorria pelo seu queixo, a resistência dela queimava forte o suficiente para derreter a neve sob nós.
"Desta vez vai ser diferente", eu disse.
"Ah, claro. E como? A única chance que ainda temos é se nos transformarmos, mas nem uma dúzia de lobos Ômega seria capaz de enfrentar um Alfa como o Kieran." Seus olhos se estreitaram. "Ou você, de repente, vai criar garras e pelo, Alfa-nata?"
"Roxy," Judy cortou, com o tom carregado de aviso. Levantei a mão para detê-la.
"Ela tá certa." As palavras eram amargas, mas eu as forcei a sair. "Eu não consigo me transformas. Não como vocês. Não como ele. Mas isso não significa que eu não tenho algo a mais."
Roxy zombou. "O que, uma vontade de morrer?"
"Não. Um plano." Levantei o queixo, tentando reunir forças no meu corpo castigado. "Estamos lutando como se precisássemos derrotá-lo, mas não precisamos. O Finn tá certo. O talismã é o que importa."
Finn se inclinou para frente, massageando o tornozelo. "Então, o que você sugere?"
Meu estômago revirou. Eu precisava da fé dele. Eu não podia falar sobre a Alina, não podia admitir que havia outra consciência em mim sussurrando conselhos.
"Preciso que confiem em mim," disse. "Preciso me aproximar o suficiente pra pegar o talismã. Essa é nossa única chance."
"Sim, claro, nós precisamos nos aproximar," Roxy disse. "Como vamos fazer isso?"
Balancei a cabeça. "Não 'nós'. Eu."
"Você tá louca?" ela explodiu. "Você não aguentou nem um golpe dele sem desabar! Ele vai te despedaçar antes de você conseguir tocar nele!"
As palavras dela doeram, mas mantive o meu olhar fixo, recusando-me a desviar. "Então, me dê o tempo que preciso. Me deem cobertura. Distraiam ele. O resto eu faço."
O riso da Roxy era áspero e desesperado. "Ah, isso é hilário. Você, sem garras, sem uma loba, vai encarar ele?" Ela apontou para a besta dourada que esperava com uma calma letal. "Você vai virar adubo antes de chegar perto dele!"
"Ela não tá errada," a Talia disse, com a voz fraca pelas respirações cambaleantes. "Mas... que escolha temos?"
Os olhos da Judy se fixaram nos meus. Ela estava avaliando, ponderando, como se tentasse decidir se eu tinha finalmente cedido ao frio e ao medo.
Mas, então, ela deu um aceno único e firme. "Se a Sera diz que consegue, eu acredito nela."
Finn hesitou apenas por um momento antes de acrescentar: "Também tô nessa."
Roxy se virou para eles, irritada. "Vocês dois perderam a cabeça?"
"Roxy," a Judy disse com firmeza. "Nós seguimos a nossa líder."
A palavra pairou no ar, pesada como uma promessa solene. Depois de tudo que passamos... não era apenas formalidade, era confiança.
Engoli em seco, lutando contra o nó na garganta. No fundo, eu não tinha certeza se merecia essa palavra. Mas, por todos os deuses, faria tudo ao meu alcance para ser digna dela.
Roxy olhou de um para outro, com a mandíbula cerrada, enquanto fúria e medo lutavam no seu rosto. Finalmente, com um suspiro violento, ela cuspiu na neve, manchando-a de vermelho.
Desviei de um golpe que teria me esmagado, rolei por baixo da pata dele e voltei a correr. Adrenalina e surpresa passavam pelo meu corpo.
'Seus reflexos são os meus,' Alina sussurrou. 'Não pense. Mova-se.'
E eu me movi. Mais depressa do que me lembrava já ter me movido. Eu não era uma loba, não tinha garras nem presas, mas também não era humana.
Era algo entre os dois.
O olhar do Ashar cortou a fumaça e pousou em mim. O reconhecimento acendeu, ardente e implacável.
O mundo se resumiu a nós dois. Seus olhos nos meus. Meus pés correndo sobre a neve. O talismã brilhando no pescoço dele.
"Protejam ela!" A voz da Judy cortou a confusão e outra bomba de fumaça explodiu, me envolvendo em cinzas.
'Sera... Agora!'
Eu não precisei perguntar o que a Alina queria dizer, só me lancei à frente. As minhas mãos agarraram o pelo quente como fogo e denso como seda.
Talvez a Roxy tivesse razão, talvez eu realmente tivesse o desejo de morrer. Porque, de repente, eu estava montada no Ashar.
O mundo inclinou e girou. Minhas pernas se prenderam em torno das costelas dele e as minhas mãos agarraram a sua crina enquanto ele se contorcia sob mim como um furacão vivo.
Cada faísca que eu tinha sentido antes explodiu em um inferno. Minha pele queimava onde tocava a pelagem dele e o meu peito se apertou, o coração martelando com algo muito maior do que medo.
O talismã brilhava a centímetros da minha mão, mas, por um instante, isso deixou de importar. Eu esqueci da prova, esqueci do frio, da dor, da batalha que os meus companheiros lutavam.
Só havia o Ashar. Ouro, fogo e um apelo bruto e terrível dentro de mim que sussurrava que ele não era apenas um inimigo, ele era algo completamente diferente.
Algo que eu ainda não sabia nomear.
'Concentre-se, Sera.' Até a Alina parecia agitada, tensa, mas a urgência na sua voz aguçou o meu foco o suficiente para me lembrar do que eu precisava fazer.
Estendi a mão e os meus dedos se fecharam em torno do frio da prata.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...