PERSPECTIVA DA SERAPHINA
Se você precisa de uma definição clássica de ironia, aqui está: na noite passada, quando enfrentei o urso, desejei a presença da Kieran.
Agora, ele estava aqui. Mas com certeza não era para me proteger.
No momento em que o meu olhar se fixou no Ashar no topo da pedra áspera, uma onda de emoções surgiu dentro de mim.
Não era só admiração, embora a simples magnitude da sua presença exigisse isso.
Não era só medo, embora o meu coração disparasse violentamente ao vê-lo.
Era... algo mais. Algo cru. Elementar. Difícil de definir.
Meu peito se apertou como se correntes invisíveis estivessem sendo puxadas. Elas me atraíam para ele, mesmo enquanto me rasgavam de dentro para fora, tudo ao mesmo tempo.
O pelo dele cintilava como luz líquida atravessando a neve, cada ondulação de músculo sob aquela pelagem anunciando uma graça letal.
E os seus olhos... Deuses, aqueles olhos! Eles estavam fixados em mim, prendendo-me no lugar como uma mariposa presa a um quadro de colecionador.
Eu sempre soube que eram escuros, mas agora brilhavam como ouro derretido, penetrando direto em mim como se ele pudesse ver cada pensamento que eu ousasse ter.
E então, absurdamente, o meu coração doeu. Não apenas pela ameaça diante de mim. Não, essa dor vinha de algo mais profundo, algo que tocava em cicatrizes antigas que eu havia lutado tanto para esquecer.
"Sera," Judy disse suavemente, com cuidado. "É quem eu acho que é?"
Eu dei um leve aceno. "Ashar," eu sussurrei, embora a minha voz, e o tremor nela, fossem audíveis e claros. "Alfa Kieran Blackthorne da Alcateia NightFang."
O título pairou sobre nós como uma nuvem de tempestade e a gravidade do que estávamos enfrentando fez os meus joelhos tremerem.
Atrás de mim, os meus companheiros se moviam nervosamente e faziam o gelo estalar com as botas. A respiração do Finn era ofegante, a Talia engoliu em seco de forma audível e a Roxy... Bom, ela não era de esconder o nervosismo com silêncio.
"Ah, pelo amor dos Deuses," ela resmungou, semicerrando os olhos para o Ashar. "Entre todos os malditos Alfas que podiam ter mandado pra avaliar a gente... mandaram ele?" Ela me lançou um olhar acusador. "Você quer mesmo que eu acredite que o Lucian não tá querendo ferrar a gente?"
Eu poderia ter mencionado a ironia de que a Roxy já tinha achado que o Lucian estava me favorecendo e agora achava exatamente o oposto.
Mas eu estava ocupada demais tentando descobrir como diabos íamos passar por esse desafio final.
"Silêncio," Judy rosnou, mas a sua voz não tinha a firmeza de sempre. A mão dela apertava o cabo da adaga no cinto, deixando os nós dos dedos brancos.
O rosnado do Ashar reverberou pela planície como um trovão. Profundo. Ressonante. Um aviso. O som fez os pelos dos meus braços se arrepiarem e o meu sangue cantar com partes iguais de terror e algo mais que eu não tinha o luxo de examinar no momento.
'Se concentra, Sera.' A voz da Alina era firme e não deixava espaço para o medo. 'Isso não é sobre você. É sobre sobreviver.'
Forcei um pouco de ar para dentro dos pulmões. "Não podemos ficar aqui tremendo na base o dia todo," eu disse, as palavras raspando pela minha garganta. "Em formação."
A Judy exalou, estendendo a mão livre para apertar o meu ombro com firmeza. "Dá o comando, Sera."
Lancei a ela um olhar de gratidão.
"Judy, direita. Roxy, esquerda. Talia, Finn, guarda traseira."
Eles se moveram instantaneamente, tomando as suas posições com uma precisão que me encheu de orgulho.
Caminhei à frente, com o olhar do Ashar acompanhando cada movimento meu.
Os dois talismãs brilhavam no seu pescoço, a prata capturando o sol pálido como uma estrela inalcançável.
Tínhamos chegado até aqui e iríamos até o fim.
"Quando eu der o sinal," sussurrei, sem desviar os olhos do Ashar. "Agora!"
O primeiro embate foi puro caos. Ashar se movia como nenhum lobo que eu já tinha visto, mais rápido do que a própria ideia de velocidade, mais forte do que qualquer lógica podia explicar.
Roxy atacou primeiro, sua lâmina cintilando à luz. Ashar mal se moveu, sua pata enorme a afastando como se fosse um brinquedo de criança. Ela caiu na neve e o ar saiu dos seus pulmões com a força.
"Roxy!" chamei, mas então o Ashar estava em cima de mim. Pelos dourados desfocados, garras criando arcos no ar. Eu me abaixei, rolei, sentindo a neve fria queimando contra a minha bochecha, enquanto sua investida passava a centímetros de me atingir.
Me levantei rapidamente, puxando uma adaga do coldre na minha coxa. Quando mirei em um talismã, ele se desviou, as suas mandíbulas estalando tão perto do meu braço que senti o calor da sua respiração atravessar a minha jaqueta.
Judy tentou em seguida, lançando a sua adaga com precisão cirúrgica. Ashar saltou, segurando a arma entre os dentes. Um movimento do pescoço dele e ela voou para longe, desaparecendo. Judy recuou, com os olhos arregalados.
Finn e Talia avançaram juntos, movendo-se em um vai-e-vem impressionante. Mas com um único movimento da cauda do Ashar, os dois foram lançados na neve.
Não era uma luta. Era uma devastação, só que sem sangue. Pelo menos, era o que eu esperava.
Eu sempre achei que o Kieran me subestimava e nunca via meu verdadeiro valor. Talvez eu tenha feito o mesmo com ele. Cada movimento dele agora era um lembrete brutal de que este era o Alfa da Alcateia NightFang, o líder que comandava exércitos, o lobo que esmagou inimigos e esculpiu o medo nas lendas.
E eu... O que eu era comparada a isso? Uma pequena vela tremulando na neve.
Ashar saltou novamente e a sua sombra apagou o sol. Eu me preparei para o impacto e o meu corpo colidiu contra o gelo quando a pata dele bateu na lateral do meu corpo.
A agonia percorreu as minhas costelas como um eco e a minha adaga deslizou das minhas mãos.
Finn então falou, com a voz tensa e firme: "Não importa. Lembrem-se das regras. Não precisamos derrotá-lo. Só precisamos do talismã."
Talia assentiu com a cabeça, segurando a lateral do corpo: "O que parece bem impossível agora."
O olhar do Finn deslizou para mim. "Mas você conhece ele, Sera. Melhor do que qualquer um de nós. Você já viu ele lutar antes, não viu? Deve haver algo, um sinal, algum tipo de fraqueza."
O peso das expectativas deles pressionava sobre mim mais pesadamente que o peso do Ashar.
Fechei os olhos e repassei as memórias das noites no pátio dos Lockwood, onde o Ethan e o Kieran duelavam por horas enquanto eu os observava das sombras, invisível. Eu me lembrava de como o Kieran se movia sempre com uma precisão mortífera e os seus golpes eram calculados e exatos. O Ethan, com todas as suas habilidades notáveis, tentava romper as suas defesas, mas o Kieran nunca cedia. Nunca escorregava. Nunca vacilava.
"Eu..." Minha voz falhou. Balancei a cabeça. "Eu não sei."
A decepção estava estampada nos rostos deles, clara como o dia.
Roxy soltou um suspiro de desdém: "Já era de se esperar."
Judy lançou um olhar zangado para ela, mas não disse nada. O silêncio se estendeu pesado entre nós, cheio de exaustão e desespero.
Eu olhei para a neve. A vergonha queimava mais do que a dor nas minhas costelas. Eles precisavam que eu fosse mais... uma líder, uma guerreira. E eu ainda era apenas... menos.
'Sera.' A voz da Alina ecoou na minha mente, acolhedora e firme.
Meu coração deu um salto. 'Alina?'
'Acho que sei um jeito.'
Uma faísca de esperança surgiu. 'Sabe mesmo?'
Meu olhar se desviou para o Ashar, que ainda rondava a formação de pedra com a paciência de um predador, esperando que ousássemos nos aproximar novamente.
'Como?' murmurei para mim mesma.
'Confie em mim,' respondeu a Alina, sua voz como um bálsamo para o meu espírito desgastado e tenso. 'Ele não é invencível. Ninguém é. Deixe eu te guiar. Juntas, podemos encontrar uma brecha.'
Minha respiração falhou e o meu peito trovejou com algo que eu não conseguia nomear.
Esperança. Medo. E por baixo de tudo... um anseio trêmulo e perigoso. Por quê? Eu não fazia ideia.
Ainda assim, eu me preparei. 'O que eu tenho que fazer?'

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...