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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 172

PERSPECTIVA DA CELESTE

A mansão Lockwood nunca me pareceu tão sufocante.

Cada lustre brilhava com uma perfeição impecável, cada canto tinha um leve cheiro de lustra-móveis e madeira, mas por baixo de tudo havia o cheiro da humilhação.

Já fazia três dias desde o fim do TFL. Três dias desde que o Kieran me olhou como se eu fosse alguém lamentável, um incômodo. E então ele se afastou.

Eu dizia a mim mesma que ele só precisava de tempo. Que, depois de todo o alvoroço, ele voltaria pedindo desculpas, racionalizando, compensando, como sempre fazia.

Era sempre assim. O Kieran podia ser teimoso e orgulhoso, mas também era previsível.

E ele me amava.

Então, quando o nome dele apareceu no meu celular esta manhã, choque e esperança me invadiram, e o meu coração deu um salto.

"Kieran!" Eu disse o nome dele como quem respira após quase se afogar, metade alívio, metade descrença.

"Celeste." A voz dele estava calma até demais. "Podemos nos encontrar? Tem uma coisa que eu preciso te dizer pessoalmente."

Eu sabia. Eu sabia que ele não conseguiria ficar longe por muito tempo.

"Claro," eu disse suavemente, como se já não tivesse corrido para o espelho, como se o meu coração não estivesse batendo tão alto que poderia ser ouvido do outro lado da linha.

Quando desliguei, alívio e uma antecipação alegre surgiram dentro de mim. Eu quase dei uma risada de incredulidade e êxtase.

Sim, sim, sim!

Minha mãe apareceu na porta nesse momento, com o casaco na mão e pronta para ir ao cemitério.

"Está acontecendo alguma coisa?" ela perguntou curiosa.

Eu sorri para ela. "O Kieran quer me ver!"

"Oh." A expressão dela mudou e eu franzi a testa. "Você não tá feliz?"

"Estou, sim. É só que..." Ela balançou a cabeça. "Você prometeu ir visitar o túmulo do seu pai comigo hoje. Você não vai ao cemitério desde o enterro."

Eu a dispensei com um gesto, já indo para o meu armário.

Revirei os vestidos de seda, chiffon e renda. "Diga ao Pai que eu vou amanhã," murmurei distraída para minha mãe.

"Celeste, ele..."

Virei a cabeça rapidamente. "O quê? Não é como se ele fosse a algum lugar."

Seus olhos se arregalaram. "Celeste!"

Revirei os olhos, voltando para o meu armário.

Minha mente girava com possibilidades: o anel, Kieran ajoelhado diante de mim, a manchete.

Celeste Lockwood e Alfa Kieran Blackthorne: A União das Lendas.

"Vou visitar ele em breve," disse. "Vou até levar o Kieran pra ser apresentado como o genro dele, do jeito certo, desta vez."

Minha mãe não falou nada conforme saía do meu quarto e fechava a porta.

Minha mão tremia enquanto eu passava blush no rosto. Tentei me acalmar, me preparando como se fosse para uma batalha e focando em cada movimento preciso para controlar os nervos.

Coloquei um vestido vermelho transparente, elegante, ousado e quase escandalosamente ajustado a cada curva.

O tecido captava a luz de um jeito que parecia ter sido derramado sobre a minha pele, destacando o calor do meu bronzeado e as longas e elegantes linhas das minhas pernas. Quando parei diante do espelho, vi uma versão de mim que o Kieran nunca conseguia resistir, a mulher para a qual ele sempre voltava, mesmo depois de dez anos, aquela que conseguia desarmá-lo com algo tão simples quanto um sorriso.

Enquanto saía do meu quarto, fiz uma promessa a mim mesma: desta vez, eu não o deixaria escapar.

***

O restaurante estava vazio quando cheguei. Nem uma alma à vista, exceto pelo garçom que abriu a porta para mim.

A luz das velas tremulava sobre os assentos de veludo e as paredes douradas, e uma suave melodia de piano tocava em algum lugar invisível. Ele tinha reservado o lugar inteiro.

Meus lábios se curvaram. Meu peito se encheu de emoção. Era isso. Era exatamente isso!

Kieran já estava lá, sentado à janela. Sua postura era ereta, o terno impecável, a expressão indecifrável.

Por um breve segundo, vi o mesmo homem que uma vez jurou que me protegeria do mundo, o homem que era meu antes da Sera cravar as suas garras nele.

Isso nunca mais.

"Não imaginava que você sabia ser tão dramático, Kie," provoquei de leve, colocando a minha bolsa de lado enquanto deslizava para a cadeira oposta a ele. Ele já tinha pedido vinho e eu envolvi os dedos ao redor da haste fria da minha taça.

"Reservar um restaurante inteiro? Você poderia ter simplesmente me pedido em casamento como um homem normal." Pisquei. "Você sabe que não me importo se as pessoas estiverem olhando."

Ele não sorriu.

"Celeste," ele disse, com a voz baixa e cuidadosa. "Preciso te falar uma coisa."

Direto ao ponto. Ah, que homem!

Passei a mão pelo cabelo, ignorando o leve frio na barriga. "Não fique nervoso. Eu prometo que vou dizer sim."

"Celeste."

O som do meu nome de novo, mais firme e mais frio, cortou a minha fantasia como uma lâmina.

Meus dedos pararam ao redor da taça de vinho. "O que foi?"

Ele respirou fundo, de forma constante e prolongada. O olhar dele não vacilou enquanto seus olhos estavam presos nos meus. "Precisamos terminar."

Por um instante, eu não entendi as palavras dele. Não faziam sentido juntas assim. "Terminar... o quê?"

"Isso", ele disse, gesticulando entre nós. "O nosso relacionamento."

Eu ri. Ri para valer. "Ah, deuses, você é péssimo nisso. Por um segundo, você quase me convenceu."

"Celeste..."

"Não, não." Balancei a cabeça. "Você sabe que eu gosto de drama, mas isso é um pouco demais, Kie. Você não pode fingir que vai terminar comigo logo antes de me pedir em casamento."

A expressão dele não mudou. "Eu não tô brincando."

O silêncio se instaurou entre nós.

As velas tremeluziram e o piano tropeçou nas tonalidades.

Minha garganta secou. "Você tá falando sério?"

Então, engoli o grito, endireitei os ombros e limpei as lágrimas com as costas da mão. "Eu não aceito isso. Nada disso."

Ele franziu a testa.

"Você pode me odiar," ele disse, se levantando lentamente. "Eu assumo a culpa, eu lido com as consequências, mas isso acaba aqui. Não haverá noivado, nem casamento. Você não será a minha Luna, Celeste. Sinto muito."

Que se dane.

Eu também me levantei, tremendo por completo. "Você vai se arrepender disso."

Ele balançou a cabeça. "Não, acho que não vou."

"Vou enviar os convites pra nossa festa de noivado," respondi friamente. "Você receberá um em breve. E você vai comparecer. E, quando me vir lá, deslumbrante, vestindo o vestido destinado à sua esposa, à sua Luna, você vai cair na real."

"Celeste..."

Não o deixei terminar.

Meus saltos ecoaram firmemente no mármore enquanto eu me virava e saía, de cabeça erguida, mas com a garganta apertada.

O ar lá fora estava frio, cortante, e brilhava demais contra a tontura que girava a minha cabeça. Entrei no carro e agarrei o volante até os nós dos meus dedos doerem.

Ri entre lágrimas, com a descrença girando no meu peito. "Terminar," sussurrei. As palavras ficaram presas, cruas, surreais.

Pisei no acelerador antes que a razão pudesse me impedir. A cidade virou um borrão ao meu redor, misturando faixas de trânsito, o reflexo do sol e a mancha branca da minha reflexão no para-brisa.

Não me lembro de decidir dirigir até o shopping, mas sentir o cartão preto do Kieran na mão me deu um certo prazer. Eu preferiria muito mais arranhar a cara dele, mas fazer compras teria que servir por agora.

Quando terminei, a conta do Kieran tinha sofrido um belo estrago: casacos de grife, brincos de diamante, uma nova bolsa que eu não precisava e vários pares de salto que eu provavelmente nunca usaria.

Os vendedores, é claro, ficaram encantados e rodopiavam ao meu redor como formigas no açúcar, as suas vozes cheias de elogios melosos.

"Oh, Senhorita Lockwood, essa cor fica divina em você."

"Gostaria que embrulhássemos a coleção inteira?"

Deixei que fizessem isso. Deixei que os seus elogios me envolvessem como um bálsamo, anestesiando a dor que as palavras do Kieran tinham esculpido em mim.

Cada passada do cartão preto dele era uma tentativa de apagar a dor e de comprar de volta a ilusão de controle. Seda, cashmere, ouro... Coisas que costumavam fazer eu me sentir poderosa e intocável, hoje mal arranhavam a superfície.

Não importava quantas sacolas lustrosas preenchessem o banco de trás do meu carro, eu não conseguia sacudir a sensação de tentar preencher um vazio que tinha o nome do Kieran cravado nele.

Quando estacionei em frente à mansão novamente, não acreditei que ainda era o final da tarde do mesmo dia. Parecia que eu tinha vivido três dias seguidos em um.

Entrei, exausta, com os saltos tilintando contra o mármore, e chamei: "Mãe? Cheguei."

Nenhuma resposta.

Suspirei, colocando as minhas sacolas no aparador no hall de entrada. "Você não vai acreditar no que aconteceu, Mãe. Sinceramente, uma das suas sopas cairiam bem agora..."

Então congelei.

No fim do corredor, perto da base das escadas, uma pequena figura estava esperando com uma bandeja nas mãos e o aroma de açúcar e manteiga enchia o ar.

Daniel.

A raiva me consumiu em uma onda abrasadora enquanto eu bati a porta com força.

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