PERSPECTIVA DA SERAPHINA
Quando a Maya enfiou o celular na minha cara, durante o alongamento, eu quase me contraí.
"Você acredita nisso?"
Eu apertei os olhos, lendo a manchete.
'Alfa Kieran Blackthorne Oferece Soirée Íntima com a Futura Luna, Celeste Lockwood.'
A foto anexada estava exageradamente retocada. Celeste usava um vestido frente única e tinha sorriso tímido florescendo, enquanto segurava o braço do Kieran como se ele fosse fugir.
Mal reconheci o homem ao lado dela. Parecia uma estátua de cera. Imóvel, rígido. Muito... diferente dele.
Maya deu uma risadinha enquanto puxava o celular, com a expressão distorcida em um deboche.
"Soirée 'íntima'? Francamente. Essa baboseira tá em praticamente todas as páginas de Los Angeles. Ela provavelmente contratou metade dos fotógrafos de LA pra garantir que cada ângulo do seu novo nariz fique registrado."
Eu não ri, ó me estiquei no tapete de yoga e me ergui na posição de prancha. "Imagino que o Ethan tenha recebido um convite."
"Claro que sim," Maya disse, deslizando para a posição de cobra com uma facilidade exageradamente presunçosa. "E ele me convidou pra ir, mas nós duas sabemos que eu preferiria comer vidro do que enfrentar aquele circo."
"Eu não vou pedir pra você boicotar as obrigações sociais do seu companheiro," murmurei, tentando manter a conversa casual.
"Você não tá me pedindo. É uma escolha minha."
"Sim, mas..." suspirei. "Você não precisa escolher. A Celeste é a irmã do seu companheiro. Inevitavelmente, você vai ser puxada cada vez mais pro círculo dela."
"Oh, querida." Ela rolou de costas e jogou os braços dramaticamente. "Independentemente da sua história, eu não iria. Aquela garota tá tão desesperada por holofotes que faria funeral pra um peixe morto se achasse que a Vogue ia cobrir o arranjo floral."
Soltei uma risada ofegante antes de me jogar de costas, o suor grudando na minha pele. Os sons abafados das pessoas treinando ao nosso redor se tornaram uma música familiar para os meus ouvidos e sorri suavemente.
"Você pode seguir adiante", eu disse para a Maya. "Progredir no seu relacionamento com o Ethan, mesmo que isso se sobreponha com... ela."
"Eu vou", ela respondeu. "Mas me recuso a me envolver com alguém que tem mais brilho do que bom senso."
Dei uma risadinha involuntária e trocamos um olhar, um entendimento passando entre nós.
"Vamos lá", Maya disse, dando um tapa na minha coxa enquanto se sentava. "Chega de preguiça. Vamos ver se hoje vai ser o dia em que você vai conseguir me derrubar."
Me levantei também, gemendo. "Nós duas sabemos que hoje não vai ser o dia."
Ela sorriu. "Ah, mas você fica tão fofinha quando tenta." Ela mexeu as sobrancelhas assim que eu me levantei. "Finge que eu sou uma boneca inflável tamanho real da Celeste."
Sorri, estalando os dedos enquanto o rosto bonito e vingativo da Celeste passava pela minha mente. "Tá bom. Talvez hoje seja o dia."
***
Hoje não foi o dia.
À noite, me encolhi no sofá da sala, com um saco de ervilhas congeladas pressionado no ombro que machuquei quando a Maya me virou e me jogou no chão. Duas vezes.
Com tudo o que estava acontecendo nos últimos dias, só uma coisa poderia me animar e me afastar do feed das redes sociais, que tinha sido dominado por notícias da soirée íntima e ao mesmo tempo mais divulgada da humanidade e da comunidade dos lobisomens.
A chamada de vídeo chiou, despertando o meu celular criptografado, e lá estava ele... meu menino, encolhido na cama, cercado pelos novos bichinhos de pelúcia que mandei para ele e com uma maçã meio comida na mão.
"Mãe!"
Meu coração se encheu instantaneamente. "Oi, querido. Isso é a sua janta ou um lanchinho?"
"A janta foi arroz com frango. A maçã é a sobremesa", ele disse, com uma maturidade exagerada. "A Vovó diz que as frutas são os doces da natureza."
Meus olhos se estreitaram. "A Leona não tá deixando você comer o que quer?"
Ele acenou com a mão, desdenhosamente. "Tá tranquilo. O Vovô sempre me dá chocolates escondido e compra sorvete quando a gente vai à praia."
Eu ri. "Tá bom, então. Se alguém te proibir de alguma coisa aí, você me avisa, tá?"
Ele sorriu. "Pode deixar."
"E aí, como você tá?" perguntei.
"Na verdade, mãe, quero saber como você tá."
"Oh." Olhei para as ervilhas. "Tô bem. Só um arranhãozinho no treinamento hoje."
Ele balançou a cabeça. "Não, eu quero saber como você tá de verdade. De verdade mesmo."
Eu franzi a testa com o tom súbito dele. "Tô bem."
"Tem certeza?"
"O que foi, querido? Alguma coisa na cabeça?"
Ele limpou a garganta e deu de ombros com uma falsa despreocupação. "Eu fiquei sabendo da tal da festa."
Isso me pegou de surpresa e me sentei mais reta. "Que festa?"
"Aquela coisa do Papai e da Celeste," ele disse, franzindo o nariz. "Saiu no noticiário e ouvi a Vovó e o Vovô conversando sobre isso."
Um gosto amargo tomou a minha boca.
A campanha da Celeste tinha chegado até ao Daniel.
Cerrei os dentes. "Bem... não é algo com o que você precise se preocupar."
"Eu me preocupo com você."
Balancei a cabeça. "Ah, querido, você não precisa se preocupar. Eu tô bem."

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei