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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 57

PERSPECTIVA DO KIERAN

Eu vi o primeiro aviso de débito no meu telefone bem na hora em que estava destravando o carro.

Depois a segunda.

E a terceira.

Quando me sentei no banco do motorista, meu cartão preto já tinha acumulado mais atividades do que normalmente via em um mês inteiro.

Meu celular continuava vibrando com notificações de transações, uma de uma boutique de luxo no centro, outra de uma floricultura chique, e então uma longa e confusa lista de fornecedores, desde decoradores de festas até artesãos de velas.

Segurei o volante com uma mão e rolei a tela com a outra, tentando entender o caos. Lojas de maquiagem. Papelaria personalizada. Caviar. Um maldito harpista.

O que diabos é isso?

Minha mente imediatamente pensou na Celeste. Ela tinha acabado de se mudar e já estava tratando meu cartão como se ele não tivesse limite. O que, tecnicamente, era verdade. Mas, mesmo assim, fiquei alarmado com a velocidade com que ela estava acabando com os meus recursos.

Era, no total, mais dinheiro do que a Sera tinha gastado na década em que fomos casados. E todas as despesas dela eram, na verdade, para o Daniel.

Eu não sou um homem que costuma entrar em pânico mas, quando você vê o seu cartão sendo drenado tão rapidamente, sua mente vai direto para o pior.

Talvez a Celeste tivesse tido outro surto. Talvez essa fosse a forma dela lidar com as coisas. Talvez...

Desliguei o motor e fui para casa rapidamente, a tensão crescendo no peito. A culpa, a raiva e a frustração do meu encontro com a Sera ainda estavam lá, mas foram escondidas sob a sensação inquietante de que algo estava errado.

Esse não era um comportamento normal, nem mesmo para a Celeste.

Estacionei na frente de casa e imediatamente notei a diferença.

Balões. Balões de verdade, amarrados nas colunas da varanda como se estivéssemos nos preparando para um chá de bebê.

"O que diabos tá acontecendo?"

Empurrei a porta e minha casa tinha... desaparecido.

No lugar dela, um tumulto de tons pastéis suaves, fragrâncias florais pegajosas e pilhas de sacolas de compras de todas as lojas imagináveis. Precisei desviar de uma caixa rosa com a inscrição "lembrancinhas" só para chegar ao hall.

"Celeste?" chamei.

"Aqui, querido!" Segui a voz dela, passando por sacolas, caixas de sapatos e um número suspeito de almofadas espalhadas pelo corredor como migalhas de pão.

Minha sala de estar tinha se transformado no que parecia ser o rescaldo de um concurso de beleza. Fitas e tecidos pendurados nas cortinas. Um balão gigante com um "C" cintilante flutuava perto do teto, como um presságio ameaçador. Celeste estava no meio de tudo, com as mãos nos quadris, vestindo um robe de seda pêssego e bebendo um smoothie verde com um canudinho em forma de flamingo.

"Kieran!" ela sorriu. "Você chegou bem na hora certa. Preciso da sua opinião. Você prefere rosas ou peônias pros arranjos de mesa?"

Eu a encarei. Depois, encarei o cômodo.

E, então, meu celular, que vibrou com mais uma notificação de débito. "Você foi às compras," declarei, sem emoção.

Eu tinha ficado fora menos de uma hora. Menos. De. Uma. Hora.

"Ah, amor, tô fazendo uma curadoria. Estas coisas não são apenas compras, são investimentos no nosso futuro juntos."

Avancei, ignorando o caos cintilante. "Celeste, o que é tudo isso?"

Ela piscou, colocando seu smoothie em uma mesa lateral que não era minha. "Eu quero dar uma festinha pra anunciar oficialmente que estamos juntos de novo. E, que maneira melhor de fazer isso do que organizar um soirée elegante e de bom gosto que rivalize com o baile de gala do Lucian Reed?"

Esfreguei o queixo, tentando encontrar o que dizer. Esta manhã, ela bebeu água sanitária, e agora estava planejando uma festa?

Meu silêncio se prolongou o suficiente para que ela inclinasse a cabeça.

"Algum problema?" ela perguntou, com a voz levemente tensa.

Olhei novamente para o cômodo e meu peito apertou. Era demais. Cores demais, bagunça demais, Celeste demais. Minha casa tinha sido despojada de qualquer coisa remotamente minha.

"Cadê o desenho do Daniel?" perguntei de repente.

"O quê?"

"A pintura a dedo que ele fez, aquela que estava pendurada acima da lareira."

Celeste acenou com uma mão bem cuidada. "Ah, aquela coisa velha? Levei pra garagem. Não combinava com o novo estilo da casa."

Minha boca abriu e depois fechou novamente.

"E as fotos?" Caminhei até a estante no canto da sala de estar. "Cadê a foto da formatura do Daniel no jardim de infância? E aquela dele com a fantasia de lobo?"

Celeste deu de ombros. "Estão em uma caixa. Em algum lugar seguro. Precisava de espaço pra memórias mais recentes."

Evidentemente, agora as prateleiras estavam adornadas com retratos cuidadosamente selecionados dela: a Celeste em um evento de gala, a Celeste na praia, a Celeste comigo de dez anos atrás antes de tudo desmoronar. Era como se ela estivesse tentando apagar todos os anos que passaram entre aquele tempo e agora.

Meus passos me levaram até a geladeira. Eu estava desesperado para encontrar algum ponto de referência, alguma lembrança da vida que eu construí fora dessa deslumbrante alucinação. Sumiu.

Os boletins escolares que o Daniel orgulhosamente havia fixado com seus ímãs do Bob Esponja tinham sumido. A geladeira estava vazia, exceto por um único cardápio colado: 'Cronograma de Planejamento do Jantar da Celeste.'

Fiquei olhando para ele, incrédulo.

"Eu só achei que era hora de renovar as coisas," Celeste disse atrás de mim. "Um novo capítulo. Novas memórias. Um recomeço."

Um recomeço.

Capítulo 57 1

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