"A Ashley me contou que um garoto te trouxe pra casa ontem. É verdade?", perguntou minha mãe, quebrando o silêncio.
Numa batalha contra a comida que ameaçava entalar na minha garganta, lancei um olhar cheio de reprovação para minha irmã, que não pôde conter uma risadinha travessa.
"Não precisa ficar assim. Você vai fazer dezoito anos em algumas semanas. Só estou preocupada porque acho que sua vida social não anda muito boa. Você quase não sai com seus amigos. Tá tudo bem?"
Quis dizer a ela que não, não estava tudo bem; que um valentão manipulador, doentio e cruel simplesmente não saía do meu pé. Mas não disse, em vez disso, respondi com um leve sorriso.
"Tô ocupada com a escola, só isso."
"E o menino? Qual é o nome dele?"
Por que ela ainda insistia neste assunto?
"O nome dele é Hayden McAndrews, mãe, e não somos amigos", murmurei, saíndo da mesa.
Por um breve momento, pareceu que algo cintilava em seu olhar, e seu semblante ganhou uma leve palidez.
"Você disse McAndrews?"
Assenti lentamente, me perguntando o porquê daquela reação. Porém, ela não disse mais nada.
"Algum problema, mãe?"
"Não. Só me sinto cansada. Vou subir pro meu quarto." Levantando-se abruptamente, ela virou-se e foi embora.
Ashley e eu trocamos olhares estranhos. Mamãe nunca foi para a cama antes de nós. Esta era a primeira vez.
Ela estar mesmo muito cansada, então...
Em seguida, subi também e decidi tomar um banho. Contudo, Hayden não saía de meus pensamentos.
Por mais que eu lutasse contra, as indagações persistiam em minha mente - o que ele teria feito se Jasper não tivesse colocado-se entre nós? Minha segurança ainda estava em jogo, pois sabia que teria que vê-lo novamente amanhã. Que Deus me ajude...
Ao sair do chuveiro, enrolei uma toalha em volta da cintura e fui até meu quarto. Passei os dedos pelo interruptor, mas resolvi não ligar a luz.
Mesmo assim, o vi deitado na minha cama, e senti meu coração pular do meu peito. Por sorte, me impedi de gritar bem a tempo, ou minha mãe viria correndo.
Meus pés pareciam estar grudados no chão, incapazes de me mover, e uma onda de pavor tomou conta de mim. Seus olhos predatórios percorreram meu corpo, demorando-se em meus seios. Era evidente como meus mamilos pontuavam a frágil toalha, e a intensidade sombria de seu olhar me assustava muito.
"C-Como você entrou aqui...?"
Seu olhar se fixou no meu.
"Feche a porta", ordenou ele, falando baixo. Arrepiei-me com a frieza implacável presente em sua voz.
Fechar a porta me deixaria sem saída. Eu ficaria presa com ele, impotente. Porém, não queria deixá-lo ainda mais bravo.
Com um nervosismo latente, virei-me obediente, sentindo minhas mãos tremerem.
"Tranque e venha aqui." Seu tom ríspido fez com que um ganido escapasse de meus lábios.
Tranquei a porta como ele disse, mas não fui até ele. Sabia que ele estava ali para me machucar; para me punir por mais cedo.
"Se eu tiver que ir aí te pegar, garanto que você não vai gostar do que eu vou fazer contigo."
A despeito do medo que me invadia, dei um passo em sua direção. Enquanto avançava, não consegui conter as lágrimas.
"S-Sinto muito por h-hoje. P-Por favor, não me machuque...", supliquei entre soluços.
Um sorriso de desprezo se estampou em seu rosto, substituindo a indiferença anterior.
"Tô de saco cheio desses seus choramingos. Ainda nem fiz nada."
Parei ao pé da cama, onde ele encontrava-se esparramado. Seu tamanho fazia minha cama parecer minúscula, e seu olhar corsário capturava cada movimento meu.
Todo o meu corpo tremia de medo, mas, ao mesmo tempo, uma sensação desconhecida apertava a parte baixa do meu abdome, deixando-me confusa.
Ele sentou-se e plantou a bota no chão acarpetado.
"Mais perto...", disse, dando tapinhas em sua coxa. Ele não esperava que eu sentasse ali, esperava?
"Agora!" Seus dentes rangeram juntos em uma expressão feroz e, sem pensar duas vezes, fui compelida a ceder.
Em seguida, ele agarrou um punhado do meu cabelo entre os dedos, fungando fortemente meu pescoço.
"Queria poder dizer que odeio te machucar, mas isso seria uma baita de uma mentira... Tá pronta pro seu castigo?"
Neste instante, minhas lágrimas corriam livremente, sem controle, até que meu corpo congelou-se de repente, quando algo gelado roçou minha garganta...
Ao perceber que era uma faca, entrei em pânico.
Comecei me debater, mas seu braço livre firmou-se em volta de minha cintura.
Não parei até ouvi-lo gemer; e senti algo duro cutucar minha bunda.
"Agora, sua vida tá nas minhas mãos, coelhinha."
Suas palavras só aumentaram minhas lágrimas, e meu corpo inteiro arrepiou-se quando ele aproximou perigosamente a lâmina afiada.
"Quer viver?"
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