Isadora deu uma risadinha: — Não fique nervosa, madrasta. Não vou fazer nada, só estou testando se a serra ainda tem bateria. Se acabar, vou entrar para carregar.
Augusto forçou a calma: — Isadora, o que você quer fazer afinal?
Ele não via essa filha há dez anos. Como ela cresceu e ficou tão selvagem?
— Nada demais. Só estou voltando para a minha própria casa. De manhã vocês não me deixaram entrar, então, como não consegui pela porta, tive que pensar em outro jeito.
— Mesmo que você chame os seguranças, eles não podem fazer nada comigo. Não posso voltar para a minha própria casa?
Ela já tinha vindo de manhã. Augusto disse que não tinha uma filha como ela e não a deixou entrar.
Como ser civilizada não funcionou, ela teve que ser um pouco mais bruta.
Helena havia se assustado agora há pouco e, no momento, estava muito indignada: — Você não tem educação? Qual é a diferença entre esse seu comportamento e um ladrão vindo roubar? Se o pessoal do condomínio souber, vamos passar vergonha por sua causa.
A voz de Isadora esfriou um pouco: — Eu tive uma mãe que me deu à luz, mas ela morreu cedo. Não tive um pai para me ensinar nem me criar, então não sei o que é educação.
— Além do mais, com que moral você fala isso sendo uma amante? Vocês perderam a moral faz dez anos.
Dez anos atrás, a mãe dela ficou doente e morreu.
Menos de meio ano após a morte da mãe, o pai dela se casou com Helena e, quando ela entrou na casa, ainda trouxe Giovanna, de nove anos.
Foi só então que ela descobriu que o pai tinha outra filha fora do casamento.
Ou seja, Augusto traiu no casamento, sustentou uma amante e ainda teve uma filha com ela.
Desde que Helena e Giovanna chegaram, ela passou a viver como a Cinderela dos contos.

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