Sebastião fazia durão, mas Daniel sabia a realidade. Ele tinha vindo até essa região de montanha só para tentar se aproximar da jovem.
Mas já se passavam alguns dias, e a situação não parecia ter progredido em nada.
— Teve sim. — respondeu Sebastião com um sorriso, as mãos nos bolsos.
Os olhos de Daniel brilharam ao ouvir aquilo.
— É mesmo? Que avanço?
Ele estava verdadeiramente curioso para saber qual seria esse avanço. Afinal, a postura de Alice ao vê-lo instantes antes fora gélida como sempre.
Foi então que ouviu o patrão falar, em tom bem-humorado:
— Ela se preocupou comigo. Ontem me deu um pão e ainda me aconselhou a ter cuidado para não engasgar.
Daniel ficou sem palavras.
Não sabia explicar o motivo, mas tinha a forte impressão de que o relato que acabara de escutar era completamente diferente do que realmente acontecera na noite anterior...
Contudo, como um mero e indefeso assistente, não ousou abrir a boca.
...
Como o objetivo era instalar os equipamentos na nova estação de monitoramento, Alice Almeida e Catarina Yunes decidiram tomar um caminho diferente naquela manhã.
Ainda na metade do trajeto, avistaram a pequena Gabriela Gomes, coberta de terra, agachada no chão enquanto raspava a terra com as mãos sujas.
A cena fez Alice se recordar imediatamente da última vez que estivera na Escola Municipal da Serra, quando Gabriela, isolada por todos, mantinha-se agachada escavando o chão sozinha.
Sentindo um súbito aperto no coração, ela apertou o passo e se aproximou.
— Gabriela, o que faz aqui?
Ao ouvir a voz de Alice, a menina levantou-se num pulo. Quis se aproximar, mas, ao perceber o próprio estado de sujeira, recuou dois passos.
Alice notou o recuo da criança e suavizou a voz.
— Você estava me esperando?
A pequena apenas piscou os grandes olhos, beliscando de leve a própria pele com as mãos miúdas, em silêncio.

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