— Gabriela! — Alice correu até ela, ainda em choque, e puxou a menina para perto. — Você está bem? Ele te mordeu?
Sua voz tremia, tanto pelo susto com o cão quanto pela comoção ao ver a criança correndo sem medo para protegê-la.
Ela era uma adulta, muito maior do que aquela garotinha. No entanto, quando o cão selvagem avançou, sua única reação foi o medo e o pânico, a ponto de sequer conseguir agir no primeiro momento.
Ao contrário, foi aquela criança pequena que reagiu em fração de segundo, espantou o cachorro e protegeu ela.
Com certo desconforto, Gabriela se soltou do abraço de Alice e recuou dois passos novamente.
Em seguida, com uma expressão tímida, murmurou:
— Fugiu, seguro.
Ela queria dizer que o cão assustador havia sido afugentado, e agora o caminho estava seguro.
Foi então que uma realização atingiu Alice em cheio.
— Gabriela... você ficou esperando aqui de propósito porque sabia que havia cães selvagens nesta estrada. Então, você veio para me proteger, é isso?
Desta vez, a pequenina reagiu. Ela assentiu com a cabeça e apontou na direção em que o cão fugira.
— Fugiu, tá seguro.
Lágrimas começaram a se acumular nos olhos de Alice. Era a primeira vez que alguém me protegia com tanta determinação, e ainda por cima uma criança.
Catarina, que tinha pavor de cachorros desde criança, finalmente recuperou os sentidos, embora ainda sentisse as pernas bambas.
— Gabriela... a tia agradece...
Enquanto falava, tirou do bolso uma barra de chocolate que trazia para repor as energias e a enfiou nas mãos sujas da menina.
— Para você comer. Coma você mesma. A sua avó não pode comer isso, idosos não podem exagerar no doce.
Catarina sabia que a menina sempre dava qualquer alimento bom que ganhava para a avó, Dona Benedita Gomes.
A pequena encarou o chocolate nas mãos, com uma expressão confusa.

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