Ao ouvirem que a nora havia chegado, todos os olhares se viraram imediatamente na direção de Alice Almeida e Catarina Yunes.
Alguns moradores locais que as conheciam arregalaram os olhos, tomados por uma certa incredulidade.
Já os que não as conheciam, ao verem a aparência das duas, não puderam disfarçar o encanto.
— Dá para ver de longe que essas moças não são daqui.
— Pois é, pelas roupas que vestem, devem ter vindo da cidade grande.
— Como os Medeiros têm tanta sorte de conseguir uma nora da cidade grande? O meu filho mais novo até agora não encontrou uma noiva.
— Mas o filho da Dona Medeiros estudou numa universidade de ponta lá fora. Ele tem conhecimento de mundo. O seu filho é só um lavrador, não tem como comparar.
As pessoas começaram a fofocar sem parar. A mulher, escutando cada palavra com clareza, deixou transparecer um sorriso orgulhoso no rosto.
Nesse momento, alguém perguntou:
— Ô Dona Medeiros, ali tem duas moças. Qual delas é a sua nora?
E houve até quem fizesse um comentário de péssimo gosto:
— Acho que as duas são muito boas. Vai ver o seu filho pegou logo as duas para ele!
A mulher ergueu a sobrancelha e, apontando diretamente para Alice, declarou:
— Aquela ali, a que não usa óculos!
Seguindo o dedo da mulher, a multidão voltou toda a atenção para Alice.
Visivelmente empolgada, a mulher já caminhava na direção dela, falando alto:
— Que bom que ela não usa óculos, não tem miopia. Desse jeito, não passa esse problema para os meus netos no futuro!
Ao lado de Alice, Catarina ouviu a fala e sua expressão fechou na hora.
Empurrou a armação preta dos óculos no nariz, sentindo-se abertamente discriminada.
Era a primeira vez na vida que sofria discriminação por usar óculos!

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