Júlio estava sorrindo no segundo anterior, mas ao ouvir as palavras de Samuel, arregalou os olhos imediatamente e gritou:
— Você está mentindo! Foi você quem pegou o troféu e você quem o jogou no chão de propósito. Eu nem sequer encostei nele!
— Júlio, por que está gritando?! — Jorge lançou um olhar cortante para o filho, sua voz soando fria como o gelo.
Júlio estremeceu. Ao ver a expressão séria de seu pai, o sorriso sumiu de seu rosto:
— Papai, não fui eu, de verdade. Foi ele, foi o Samuel!
Samuel chorava em soluços, parecendo nitidamente apavorado. Falava com uma voz anasalada e tremida:
— Cunhado, foi mesmo o Júlio. Eu nunca ouso tocar nas coisas dos outros... Quando saí do banheiro, vi o Júlio abrir este armário e tirar o troféu. Ele disse que... que o globo girava e que queria ficar com ele...
Ao ouvir Samuel repetir exatamente tudo o que ele próprio havia dito antes, Júlio ficou tão furioso que seu rosto avermelhou, e os ouvidos começaram a zumbir:
— Seu mentiroso!
Samuel continuou a limpar as lágrimas:
— Eu... eu não ousaria mentir... Eu avisei o Júlio para não mexer nas coisas alheias, que isso era muita falta de educação. Mas ele não me ouviu... E ainda disse que todas as coisas lá de casa eram dele, e me mandou dar o fora...
— Nossa, mas como esse menino age assim? — Dona Helena Cunha, ao ouvir as palavras de Samuel, murmurou baixinho.
Desde que as duas crianças haviam entrado, ela notara a diferença entre eles.
O filho de Jorge tinha uma personalidade agitada e era um tanto arrogante. Dava para ver que era um filhinho de papai mimado em casa.


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