O Hotel Xpansion era um hotel luxuoso voltado principalmente para jovens ricos.
O dono do bar olhou para Sebastião e sorriu:
— O pessoal que vai para lá tem uns gostos bem depravados.
A intenção original do dono do bar era insinuar que, se Sebastião estivesse interessado, ele poderia apresentar algumas garotas.
Jamais imaginaria que, ao levantar os olhos novamente, encontraria o olhar frio e cortante de Sebastião. Tomado pelo pavor, ele paralisou por completo, sem conseguir pronunciar uma palavra.
Sebastião continuava encarando fixamente a direção da porta dos fundos.
Ele tinha quase certeza de ter visto Alice.
Alice, com gostos bem depravados...
...
Alice e Sara foram arrastadas o caminho todo, passando pela porta dos fundos até o beco.
— Nos soltem! Soltem a gente! — Alice debatia-se e gritava em alta voz. O seu celular tinha caído na cabine do banheiro. Sem poder ligar para a polícia, sua única esperança era fazer o máximo de barulho para atrair a atenção de alguém.
— Socorro! Aj... hum... — Mas, antes que o pedido saísse completo, o homem tapou a boca dela.
— Vadia, você faz barulho demais! — O homem chamado Fábio Figueiredo passeou um olhar malicioso pelo rosto de Alice. — Poupe suas forças, depois você grita.
Perto da entrada do beco, pedestres que passavam notaram a movimentação de Alice. Mas deram apenas uma olhada rápida e foram embora. Ninguém parou, e ninguém se ofereceu para ajudar. Achavam que se tratava apenas de alguns jovens bêbados; tinham preguiça de se envolver e não queriam problemas.
Com a boca tapada e o corpo firmemente imobilizado pelos braços de Fábio, não havia o que fazer. Além disso, as roupas de marca deixavam claro que Fábio e os amigos eram herdeiros abastados.
No breu da noite, vistos de longe, parecia que Alice era apenas uma namorada fazendo manha nos braços do rapaz.
Observando os pedestres passarem e irem embora, e depois olhando para Sara, que também era mantida prisioneira logo atrás, Alice afundou num poço profundo de desespero.
Ela se contorcia, tentando se soltar. Mas quanto mais lutava, mais o homem apertava o abraço.
— Pare de se mexer, senão te pego aqui mesmo... Ah!
— Que inútil.
O corpo de Alice recuou cambaleante e ela quase caiu, instintivamente estendendo a mão para se apoiar na parede ao lado.
Tudo aconteceu de forma tão abrupta que os amigos de Fábio sequer conseguiram ver como ele tinha ido parar tão longe.
Após um instante de perplexidade, eles reagiram.
— Caralho! Fábio!
— Cara, você tá bem?!
Sem se importarem mais em segurar Sara, eles correram em direção ao amigo e, ignorando o mau cheiro, o puxaram do monte de lixo.
— Quem foi o desgraçado que me chutou?! Porra, tá querendo morrer em Alvorada, é?! — Coberto de lixo, Fábio fulminou Sebastião com um olhar feroz.
— Não sabe quem eu sou, é?!

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