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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 54

— Sou o herdeiro da Família Figueiredo de Alvorada! Mexeu com a família errada, sabe disso?!

Achando aquele alvoroço muito barulhento, Sebastião lançou um olhar oblíquo para Daniel.

— Dê um jeito.

Daniel hesitou por um momento.

— Patrão, não vivemos em uma sociedade regida por leis?

Sebastião o encarou como se olhasse para um idiota.

— Então dê um jeito legal.

— Sim, senhor! — Daniel aceitou a ordem, estalando os pulsos enquanto caminhava em direção àqueles homens.

Alice continuava apoiada, os dedos finos arranhando com força os tijolos da parede. Sua respiração ainda era ofegante, e os ouvidos zumbiam.

Sebastião aproximou-se, projetando uma longa sombra sobre ela.

— Já te disse que lágrimas não resolvem problema nenhum. Pra quem você está querendo chorar agora?

Ouvir aquelas mesmas palavras, vindas daquela mesma pessoa.

A respiração de Alice travou e as pupilas estremeceram.

Sete anos atrás, havia sido este mesmo homem quem lhe dissera, num tom cem vezes mais frio e cruel do que aquele:

— Chorar não adianta nada, as lágrimas não resolvem nenhum problema.

— Vá embora, não fique enchendo a paciência feito um vira-lata.

— Ninguém vai ter pena de você, só vão te achar patética.

As memórias do passado varreram a mente de Alice como uma maré. Ela ergueu a mão, limpando apressadamente as lágrimas reflexas do rosto. Fechou os olhos, lutando para ajustar a respiração e tentando de tudo para não recordar.

— Tia... — A voz apavorada e impotente de Sara a trouxe de volta à lucidez.

— Sara... — Alice rapidamente firmou o controle emocional e correu em sua direção.

Sara já estava petrificada de pavor, largada no chão em estado de choque completo.

Foi apenas quando Alice a envolveu em seus braços que a jovem finalmente soltou um urro de choro.

— Passou, não foi nada. — Alice sussurrava, embalando a menina, cujo corpo tremia de maneira incontrolável.

A polícia chegou em pouco tempo.

O homem estreitou levemente os olhos, mas não havia alterações no seu tom de voz:

— O sujeito era da Família Figueiredo?

— Sim, ele mesmo. — Daniel já tinha confirmado os detalhes.

— Hm. — Sebastião assentiu de leve, a expressão impassível. — Certo, entendi.

Imediatamente depois, ele se levantou e caminhou em direção à saída da delegacia.

Seguindo os passos de Sebastião, Daniel manteve os olhos brilhando e abaixou a voz para proclamar num tom dramático:

— O clima esfriou. É hora de a Família Figueiredo ir à falência.

Sebastião: "..."

— Daniel.

— Senhor!

— Leia menos porcarias na internet, isso não acrescenta nada.

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