— Sou o herdeiro da Família Figueiredo de Alvorada! Mexeu com a família errada, sabe disso?!
Achando aquele alvoroço muito barulhento, Sebastião lançou um olhar oblíquo para Daniel.
— Dê um jeito.
Daniel hesitou por um momento.
— Patrão, não vivemos em uma sociedade regida por leis?
Sebastião o encarou como se olhasse para um idiota.
— Então dê um jeito legal.
— Sim, senhor! — Daniel aceitou a ordem, estalando os pulsos enquanto caminhava em direção àqueles homens.
Alice continuava apoiada, os dedos finos arranhando com força os tijolos da parede. Sua respiração ainda era ofegante, e os ouvidos zumbiam.
Sebastião aproximou-se, projetando uma longa sombra sobre ela.
— Já te disse que lágrimas não resolvem problema nenhum. Pra quem você está querendo chorar agora?
Ouvir aquelas mesmas palavras, vindas daquela mesma pessoa.
A respiração de Alice travou e as pupilas estremeceram.
Sete anos atrás, havia sido este mesmo homem quem lhe dissera, num tom cem vezes mais frio e cruel do que aquele:
— Chorar não adianta nada, as lágrimas não resolvem nenhum problema.
— Vá embora, não fique enchendo a paciência feito um vira-lata.
— Ninguém vai ter pena de você, só vão te achar patética.
As memórias do passado varreram a mente de Alice como uma maré. Ela ergueu a mão, limpando apressadamente as lágrimas reflexas do rosto. Fechou os olhos, lutando para ajustar a respiração e tentando de tudo para não recordar.
— Tia... — A voz apavorada e impotente de Sara a trouxe de volta à lucidez.
— Sara... — Alice rapidamente firmou o controle emocional e correu em sua direção.
Sara já estava petrificada de pavor, largada no chão em estado de choque completo.
Foi apenas quando Alice a envolveu em seus braços que a jovem finalmente soltou um urro de choro.
— Passou, não foi nada. — Alice sussurrava, embalando a menina, cujo corpo tremia de maneira incontrolável.
A polícia chegou em pouco tempo.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!