— Dra. Xavier, não seja modesta. Na época em que vivemos, concretizar um projeto de pesquisa e desenvolvimento é uma tarefa dificílima. Você é simplesmente brilhante, a pioneira do nosso instituto, a nossa líder. Todos nós só podemos seguir os seus passos. — continuou Douglas Holanda.
Sob a adulação de Douglas e os olhares de inveja e respeito dos presentes, a vaidade de Ximena Xavier foi imensamente saciada. Contudo, suas palavras ainda carregavam um tom passivo-agressivo:
— De que adianta ser brilhante? No fim, ainda serei chefiada por uma incompetente que só conseguiu o cargo por nepotismo.
Com essa declaração de Ximena, as expressões dos demais na copa mudaram novamente, e a resistência contra Alice Almeida cresceu ainda mais.
Vendo que a conversa, por mais que desse voltas, acabava sempre retornando a Alice, Douglas ia abrir a boca para desviar o assunto mais uma vez, quando Catarina Yunes, que acabara de preparar seu café, manifestou-se de forma inédita.
— Dra. Xavier, eu também li o relatório do seu novo projeto.
Ximena achou que Catarina também iria elogiar o seu projeto em seguida e esperou, com uma expressão presunçosa, as próximas palavras da garota.
Foi então que viu Catarina franzir levemente a testa e dizer, com total seriedade:
— Tenho a impressão de que o seu projeto de pesquisa apresenta uma dedução teórica muito semelhante a um artigo que li anteriormente em uma revista nacional.
Ao ouvir isso, o rosto de Ximena mudou drasticamente.
— Que bobagem você está dizendo! Está insinuando que eu cometi plágio?
— Não foi isso que eu quis dizer. — Catarina acenou com as mãos apressadamente. — Eu só queria perguntar se a autora daquele artigo publicado era você, Dra. Xavier.
Se fosse, isso seria maravilhoso!
Aquela autora era o seu ídolo!
— Que revista? Que artigo? Não sei do que você está falando! Esta é a minha própria pesquisa. Catarina, pare de me caluniar. — Ximena enfureceu-se, seus olhos ficando vermelhos no mesmo instante.
Douglas, vendo a situação, logo interveio para apaziguar os ânimos.
Era uma dedução teórica sem patente, sem assinatura e que só existia no papel. Quem primeiro a desenvolvesse na prática, seria o dono!
— Se você não tem o que fazer, vá cumprir as tarefas que a Diretora Almeida lhe passou. Você é só uma pesquisadora assistente, não deveria ficar se metendo no nosso meio. — As palavras de Ximena soaram bem rudes.
O olhar de Catarina vacilou. Ela respirou fundo, pegou o HD externo de Alice Almeida e saiu da copa.
De volta à sua mesa, ela jogou o HD de Alice em cima da escrivaninha.
Ela estava desabafando sua raiva, pois tinha uma personalidade forte e não aceitava derrotas.
E hoje, apenas por ter se tornado assistente de Alice, estava sendo alvo de deboche dos outros.
Sentou-se na cadeira e levou um bom tempo para acalmar os ânimos, até que lançou um olhar frio para o HD.
— Vamos ver que tipo de lixo essa filhinha de papai conseguiu resumir.

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