No entanto, desta vez, Jorge não demonstrou desagrado como antes, nem disse coisas como: — A culpa não é sua, é a própria Alice quem está exagerando, não ligue para ela.
Em vez disso, ele afirmou: — Você é uma moça. Estive pensando bem e, de fato, não é apropriado que continue morando na minha casa. Se isso virar fofoca, pode prejudicar a sua reputação. Portanto, encontre um lugar adequado e se mude o quanto antes. Claro, fique tranquila, pois a empresa cobrirá todos os seus custos.
As mãos de Sabrina se apertaram com força, mas ela não demonstrou nenhuma insatisfação no rosto, apenas assentiu de forma obediente. — Certo, Professor Jorge. Pedirei ao Yuri Valente para me levar para ver os apartamentos nos próximos dias. Vou dormir, então. Não vou mais atrapalhá-lo.
Tendo dito isso, Sabrina saiu apressada do escritório de Jorge.
O silêncio reinou novamente no escritório.
Jorge olhou para a bebida e os petiscos que Sabrina havia colocado perto de sua mão. Sem saber o porquê, embora seu estômago estivesse vazio e incomodado, não sentia a menor vontade de comer.
Por fim, ele empurrou as duas coisas para a borda da mesa e voltou a revisar as teses de seus alunos.
...
No dia seguinte, Alice Almeida chegou ao instituto cheia de energia. Após os acontecimentos do dia anterior, a atmosfera geral e a forma como todos a tratavam estavam visivelmente diferentes ao pisar lá novamente.
Até mesmo o porteiro, ao vê-la, fez uma saudação sorridente e disse com extremo respeito: — Diretora Almeida, a senhora chegou.
Logo que Alice entrou no saguão do prédio principal do instituto, viu Ximena Xavier saindo do elevador. Ela estava pálida e segurava uma caixa de papelão, que continha todos os seus pertences pessoais.
Ao ver Alice, seus passos pararam. Várias emoções se misturavam em seus olhos: inveja, ressentimento, constrangimento, inquietação e arrependimento.
No fim, ela não disse nada; apenas abaixou a cabeça e foi embora a passos rápidos.
Naquele momento, Douglas Holanda apareceu. Observando as costas de Ximena, ele suspirou e balançou a cabeça. — A Dra. Xavier foi muito tola. No nosso trabalho de pesquisa, tudo depende do próprio talento. Como pôde cometer um ato tão vergonhoso como o plágio...?
Ao terminar de falar, como se só então tivesse notado a presença de Alice, um sorriso amigável se formou em seu rosto. — Bom dia, Diretora Almeida.
— Bom dia. — Alice tinha uma expressão serena e acenou levemente com a cabeça. Não elogiou Douglas nem tripudiou sobre Ximena. Sem dizer mais nenhuma palavra, seguiu direto para o elevador.
Alice organizou as coisas em suas mãos. O Laboratório de Osciladores Quânticos precisava ser reativado o mais rápido possível, e havia muita preparação a ser feita antes disso.
— Ficar com raiva só vai drenar minhas emoções e desperdiçar meu tempo. — Além disso, para alguém com a personalidade vaidosa e ávida por prestígio como a de Ximena, aquele resultado já era o suficiente para fazê-la sofrer imensamente.
O olhar de Catarina para Alice mudou mais uma vez. Não era à toa que ela era seu ídolo: era tão digna e elegante.
Durante o resto do dia, Alice passou ocupada com os preparativos para a reabertura do Laboratório de Osciladores Quânticos.
Foi só perto da hora de sair do trabalho que ela notou que havia várias chamadas perdidas em seu celular.
Havia ligações de Jorge, de Yara Inácio e do professor da escola de Júlio Cavalcanti.
O coração de Alice deu um salto. Para que todas essas pessoas estivessem ligando para ela, com certeza algo havia acontecido com Júlio.
No fim, Alice retornou a ligação apenas para o professor de Júlio.

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