Alice Almeida sempre teve o costume de preparar um lanche noturno para Jorge Cavalcanti. Todas as noites, geralmente era uma bebida quente para aquecer o estômago, acompanhada de alguns dos petiscos que ele costumava comer.
Sempre que entrava, ela batia na porta primeiro e, após receber a permissão de Jorge, entrava com passos leves, esforçando-se ao máximo para não o interromper.
Como Jorge já estava acostumado com tudo isso, ao ver a mesma bebida quente e os petiscos, pensou subconscientemente que Alice havia retornado.
— Obrigado — disse ele em voz baixa. Porém, ao erguer os olhos, deparou-se com o rosto delicado de Sabrina Saraiva. — O que faz aqui?
Após falar, o homem olhou na direção atrás de Sabrina. — Onde está Alice?
O sorriso no rosto de Sabrina vacilou, e a expectativa em seu olhar congelou no mesmo instante ao ouvir as palavras de Jorge.
Ela estava de pé diante dele, e a posição mais elevada fez com que não deixasse escapar o brilho que surgiu nos olhos de Jorge ao ver a bandeja, nem a decepção e a leve repreensão que passaram num relance quando ele levantou a cabeça e a viu.
Ele a estava repreendendo.
Repreendendo-a por ser ela quem trouxera o lanche noturno, e não Alice...
As mãos de Sabrina, escondidas sob o nível da mesa, se fecharam em punhos e relaxaram logo em seguida. Sorrindo, ela disse: — Vi que o Professor não comeu muito no jantar e fiquei preocupada que não se sentisse bem. Por isso, perguntei à Dona Ester.
Enquanto falava, ela tirava a bebida quente e os petiscos da bandeja, um por um, colocando-os ao alcance da mão de Jorge. — Foi a Dona Ester quem me ensinou tudo isso. É a primeira vez que faço, não sei se vai agradar ao paladar do Professor.
Sob o olhar cheio de expectativa de Sabrina, Jorge pegou a xícara e tomou um gole da bebida. A temperatura estava perfeita, não queimava a boca e aquecia o estômago.
No entanto, embora o sabor fosse praticamente o mesmo, ele sentia que não era tão bom quanto o que Alice costumava fazer para ele.
— Hum, está gostoso. Foi muita gentileza sua. — Jorge tomou um gole e logo pousou a xícara.
Sabrina percebeu a hesitação de Jorge; a expressão e o olhar dele eram exatamente os mesmos de quando ele comeu a coxinha que ela havia feito antes. Era apenas um consolo para que ela não ficasse constrangida.
Sabrina assentiu, aguardando com um rosto cheio de expectativa pelo que Jorge diria.
Acabou ouvindo: — Eu já pedi ao Yuri Valente para encontrar um apartamento para você. Ele falou com você sobre isso nestes últimos dias?
Sabrina não esperava que esse fosse o assunto e sentiu um aperto no peito imediatamente. — Falou, sim... Ele me mostrou algumas opções bem interessantes, mas ando um pouco ocupada ultimamente e não tive tempo de ir visitá-las, por isso ainda não decidi.
— Hum. — Jorge assentiu. Ultimamente, Sabrina de fato havia se dedicado muito à empresa e, no fim de semana passado, até acabou presa no laboratório por causa disso. Pensando nisso, a voz de Jorge suavizou. — Você pode deixar as coisas da empresa de lado por enquanto. Em breve, me encontrarei com a Diretora do Centro de Pesquisa do Instituto de Pesquisa Alberto Almeida, e levarei você comigo. Portanto, encontrar um apartamento é a sua prioridade agora.
Ao ouvir que Jorge a levaria para conhecer a Diretora do Centro de Pesquisa, Sabrina ficou imensamente feliz. Isso provava que ele realmente a valorizava e queria investir nela.
No entanto, essa alegria durou apenas um instante. No segundo seguinte, seus olhos marejaram. — Eu sei. É por eu estar morando aqui que sua esposa se recusa a voltar para casa. A culpa é toda minha. Vou me mudar o mais rápido possível para não deixá-lo em uma situação difícil.
Anteriormente, sempre que Sabrina dizia coisas assim, provocava em Jorge uma irritação imediata e um ressentimento em relação a Alice.

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