Quando Alice Almeida chegou ao quarto do hospital, Jorge Cavalcanti também havia acabado de chegar; ela o vira com os próprios olhos entrando no quarto.
O professor de Júlio Cavalcanti dissera que o menino começara a vomitar sem parar durante a aula, com febre alta, suspeitando que ele houvesse contraído uma gastroenterite infantil após comer algo estragado. As crianças daquela escola vinham de famílias abastadas ou influentes, portanto, o professor não ousou demorar e levou Júlio imediatamente ao hospital.
Após ligar várias vezes para Alice Almeida sem obter resposta, ele finalmente ligou para Jorge Cavalcanti.
Jorge provavelmente tentara ligar para ela pelo mesmo motivo, mas também não conseguira contato.
Afinal, era seu próprio filho. Por mais que Alice já estivesse com o coração completamente endurecido em relação ao menino, como mãe, antes que ele atingisse a maioridade, ela ainda precisava cumprir suas obrigações.
Assim que Alice pisou no quarto, Yara Inácio, sempre tão elegante, começou a repreendê-la duramente no instante em que a viu.
— Alice Almeida, que tipo de mãe é você? O seu próprio filho adoece e é internado, e você não dá a mínima! Por que não atendeu o telefone?! Se acontecer alguma coisa grave com o Júlio, como você vai assumir a responsabilidade! — Os olhos de Yara Inácio estavam vermelhos, indicando que ela havia chorado; sua voz tremia enquanto repreendia Alice.
Alice lançou um olhar indiferente a Yara e, sem se dar ao trabalho de discutir, caminhou direto até a beirada da cama.
Na cama, Júlio ainda dormia. Seu rostinho estava pálido e a testa coberta por um suor frio. Devido à dor, suas pequenas sobrancelhas estavam fortemente franzidas. Em sua mãozinha rechonchuda, havia um acesso venoso inserido.
Antes de entrar, ela já havia falado com o médico. A condição de Júlio não era grave, tratava-se apenas de uma gastroenterite infantil comum. Após três dias de medicação intravenosa, ele estaria curado.
No entanto, seu corpo ficaria bastante fraco durante esses três dias, sendo necessário controlar e ter cuidado com a alimentação.
Vendo Júlio naquele estado, seria mentira dizer que Alice não sentia um aperto no peito. Afinal, era o filho que ela carregara no ventre por nove meses, e, ao longo daqueles anos, ela havia sacrificado tudo por ele.
Com que direito Alice descartava o filho dela?! Quem ela achava que era?! Que qualificação tinha para pedir o divórcio?!
— Chega! — repreendeu Jorge em voz baixa. — Estamos em um quarto de hospital, o Júlio está aqui, parem de brigar.
Alice estava sem palavras. Evidentemente, era Yara quem não parava de importuná-la. Mesmo assim, Jorge a obrigava a arcar com metade da culpa.
Contudo, não importava mais. Ela já não tinha nenhuma ilusão a respeito daquele homem e daquela família havia muito tempo.
— Alice. — Jorge a encarou, com um tom de voz gélido. — Pare de causar escândalo e volte para casa imediatamente.
Ao ouvir as palavras de Jorge, Alice sentiu-se irritada e, ao mesmo tempo, achou tudo aquilo cômico. Ela pensou que, agora, já conseguia compreender um pouco da impaciência e irritação que Jorge demonstrava quando olhava para ela no passado.

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