Graziela estava na varanda, a brisa suave da tarde de outono acariciava suas bochechas e esvoaçava os pequenos fios de cabelo próximos à orelha.
A voz de Giovanna ainda ecoava barulhenta pelo celular.
— Então! Dá para dizer que agora vocês foram morar juntos oficialmente!
A ponta das orelhas de Graziela queimava, e ela queria retrucar.
Porém, naquele instante, o cheiro de flor de osmanthus exalava do jardim, a luz do sol inundava o parapeito, o que também enchia seu coração de calor.
Ela abaixou os cílios e o seu dedo roçou sem querer naquele papel com a carinha sorridente escondido na parte de trás da capa do celular.
Ficou apenas ali em silêncio, parada na varanda, sob a luz do sol, sendo envolvida por aquela brisa morna.
— Alô? Ei, ei! Por que você ficou calada, Graziela?
Giovanna aproximou o rosto da câmera com desconfiança. — Você está vermelhaça... caramba, está morrendo de vergonha! Você está com vergonha, não é?!
— Não estou.
— Mentirosa! Seus lábios estão curvados! Eu tô vendo!
Graziela cobriu a boca com a mão.
— ...Foi o vento.
— Vento coisa nenhuma! Hahahahaha...
Ding-dong.
A campainha tocou.
Surpresa, Graziela olhou instintivamente para o hall de entrada.
A tela do olho mágico digital acendeu sozinha.
Havia alguém parado ali.
Usava um suéter cinza-escuro com as mangas dobradas duas vezes. Em uma das mãos segurava um saco de papel pardo e, na outra, um buquê amarelo brilhante.
A luz do sol incidia em seus ombros, tornando reluzentes as pétalas de girassol e margarida.
Lucca Vasconcellos.
Graziela caminhou rápido até a porta e a abriu.
A pessoa do lado de fora estava com a mão erguida, prestes a tocar a campainha mais uma vez. Ao vê-la sair, seu dedo parou no ar e então caiu com naturalidade.
Lucca virou o rosto de leve e deu um sorriso.
Um sorriso muito sutil, mas o canto de seus olhos também curvou-se, exalando algo relaxante.
— Que coincidência, caloura.
O seu olhar passou pelo rosto corado dela com um tom casual, como se estivesse narrando um detalhe insignificante.
— ...Você também mora na minha casa.

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