Lucca entrou logo em seguida e prontamente calçou aquele chinelo de pelúcia novinho retirado da sapateira.
Ele largou o saco de papel na mesa e abriu.
— Presente de inauguração da casa nova. Fui eu quem fiz.
Dentro, havia um pote transparente.
Graziela inclinou-se para ver.
E então paralisou.
Havia seis pudins na forma de coelhinhos brancos arrumados no interior.
Todos eles não passavam do tamanho de um polegar, o corpo nevado e roliço apoiava uma pequena margarida na cabeça e dois pontinhos vermelhos reluziam em seus olhos, pareciam muito reais.
Ela perdeu a fala.
Abaixou-se, repousou a mão na borda da mesa e olhou bem de perto.
— Veterano? — Ela ergueu a face e as pupilas curiosas. — Foi você mesmo quem os fez?
Ao seu lado, o rapaz mantinha o queixo altivo.
— Fui.
— Meu Deus... — As vistas de Graziela acenderam-se. — Isso é incrível... Como você fez o olho? Como o mirtilo cortado assim consegue continuar tão arredondado?
— Ficaram de molho na água com açúcar durante a tarde e depois utilizei a forma para prensar.
— Seis porque... — Lucca pausou. — É o dobro da sorte. Sorte na casa nova.
Graziela olhou para os seis pequenos pudins e riu.
— Como eu vou te comer, seu coelhinho bonitinho?
Lucca viu ela sorrir e recolheu um pouco os dedos no bolso.
— Vim comemorar a inauguração da sua nova vida na casa. — Ele evitou o contato e restaurou sua expressão mansa e impassível.
— Mais tarde já te acompanho lá pro consultório da propriedade principal para sua reavaliação. O Mestre Hélio estará presente hoje.
Graziela balançou a cabeça de imediato enquanto caminhava segurando o ramalhete em busca de um vaso.

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