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NAS GARRAS DO JUIZ romance Capítulo 9

— Como você tem coragem de me chantagear desse jeito? — perguntou, incrédula.

O irmão deu de ombros.

— Eu não queria chegar a esse ponto. É você que está complicando as coisas quando não quer me dar o dinheiro numa boa.

— Eu não tenho essa grana, não entende? — rebateu, irritada. — E jamais pediria ao Dante. Eu mal conheço aquele homem.

— Não foi isso que pareceu na televisão.

— O quê? — Arregalou os olhos.

— Vocês dois estavam abraçados. E eu vi o seu sorriso diante de todos.

— Porque fui obrigada!

— Conta essa para outra pessoa.

Ela fechou os punhos.

— Seu…

Por um segundo, teve vontade de dizer exatamente o que pensava do irmão, mas se controlou.

Flávio deu um passo para trás e apontou na direção dela.

— Vou te dar um prazo até a noite para me arrumar a grana.

— Eu já disse que não tenho. Por acaso está surdo?

— Eu não estou nem aí. Dá um jeito.

— E se eu não der?

Um sorriso torto surgiu nos lábios dele.

— Aí vou conversar com o pessoal lá de casa.

Ela empalideceu.

— Você não faria isso.

— Faria, sim.

O sorriso dele aumentou.

— Aposto que o pai vai adorar saber que a filha dele está noiva de um juiz milionário. Do jeito que ele é, vai até pedir um dinheiro emprestado ao novo genro para ajudar nas despesas da casa.

O coração dela acelerou imediatamente.

A última coisa com que se importava era o falso noivado. O seu único problema era o estágio. Se Dante se irritasse com aquela situação, todo o seu futuro poderia ir por água abaixo.

— Até a noite, Fabi.

Sem esperar resposta, Flávio virou as costas e começou a caminhar pela rua.

Seu jeito despreocupado deixava uma coisa muito clara. Ele tinha certeza de que havia encontrado a galinha dos ovos de ouro.

Já sozinha, Fabi pressionou as têmporas, sentindo a cabeça começar a latejar.

Agora não tinha apenas um problema. Tinha dois.

Mesmo decidida a acabar com aquela farsa no dia seguinte, precisava encontrar um jeito de calar a boca do irmão, antes que ele resolvesse abrir a boca naquela mesma noite.

Antes de chegar em casa, pegou o celular e ligou para Talita. O que estava prestes a fazer a deixava envergonhada, mas não enxergava outra saída. Talita era a única pessoa que poderia ajudá-la. Pedir qualquer coisa a Dante estava fora de cogitação. Só de pensar nisso, sentia raiva. Afinal, ele era o principal responsável por toda aquela confusão que havia virado sua vida de cabeça para baixo.

— Fala, amiga. — Talita atendeu após alguns toques.

— Oi, Tatá. Pode falar agora?

— Posso. Acabei de almoçar com os meus pais. Aconteceu alguma coisa?

Soltando um suspiro cansado, contou:

— Sim. O desocupado do meu irmão viu as últimas notícias na televisão.

— O quê?

— E agora está me chantageando. Disse que vai contar tudo lá em casa se eu não der dinheiro para ele.

— Que droga, amiga.

— Nem me fale.

— E o que você vai fazer?

Constrangida, Fabi passou a mão pelo rosto.

— Eu não posso deixar isso acontecer. Seria mais um problema para a minha vida e, sinceramente, já tenho problemas demais.

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