— Como você tem coragem de me chantagear desse jeito? — perguntou, incrédula.
O irmão deu de ombros.
— Eu não queria chegar a esse ponto. É você que está complicando as coisas quando não quer me dar o dinheiro numa boa.
— Eu não tenho essa grana, não entende? — rebateu, irritada. — E jamais pediria ao Dante. Eu mal conheço aquele homem.
— Não foi isso que pareceu na televisão.
— O quê? — Arregalou os olhos.
— Vocês dois estavam abraçados. E eu vi o seu sorriso diante de todos.
— Porque fui obrigada!
— Conta essa para outra pessoa.
Ela fechou os punhos.
— Seu…
Por um segundo, teve vontade de dizer exatamente o que pensava do irmão, mas se controlou.
Flávio deu um passo para trás e apontou na direção dela.
— Vou te dar um prazo até a noite para me arrumar a grana.
— Eu já disse que não tenho. Por acaso está surdo?
— Eu não estou nem aí. Dá um jeito.
— E se eu não der?
Um sorriso torto surgiu nos lábios dele.
— Aí vou conversar com o pessoal lá de casa.
Ela empalideceu.
— Você não faria isso.
— Faria, sim.
O sorriso dele aumentou.
— Aposto que o pai vai adorar saber que a filha dele está noiva de um juiz milionário. Do jeito que ele é, vai até pedir um dinheiro emprestado ao novo genro para ajudar nas despesas da casa.
O coração dela acelerou imediatamente.
A última coisa com que se importava era o falso noivado. O seu único problema era o estágio. Se Dante se irritasse com aquela situação, todo o seu futuro poderia ir por água abaixo.
— Até a noite, Fabi.
Sem esperar resposta, Flávio virou as costas e começou a caminhar pela rua.
Seu jeito despreocupado deixava uma coisa muito clara. Ele tinha certeza de que havia encontrado a galinha dos ovos de ouro.
Já sozinha, Fabi pressionou as têmporas, sentindo a cabeça começar a latejar.
Agora não tinha apenas um problema. Tinha dois.
Mesmo decidida a acabar com aquela farsa no dia seguinte, precisava encontrar um jeito de calar a boca do irmão, antes que ele resolvesse abrir a boca naquela mesma noite.
Antes de chegar em casa, pegou o celular e ligou para Talita. O que estava prestes a fazer a deixava envergonhada, mas não enxergava outra saída. Talita era a única pessoa que poderia ajudá-la. Pedir qualquer coisa a Dante estava fora de cogitação. Só de pensar nisso, sentia raiva. Afinal, ele era o principal responsável por toda aquela confusão que havia virado sua vida de cabeça para baixo.
— Fala, amiga. — Talita atendeu após alguns toques.
— Oi, Tatá. Pode falar agora?
— Posso. Acabei de almoçar com os meus pais. Aconteceu alguma coisa?
Soltando um suspiro cansado, contou:
— Sim. O desocupado do meu irmão viu as últimas notícias na televisão.
— O quê?
— E agora está me chantageando. Disse que vai contar tudo lá em casa se eu não der dinheiro para ele.
— Que droga, amiga.
— Nem me fale.
— E o que você vai fazer?
Constrangida, Fabi passou a mão pelo rosto.
— Eu não posso deixar isso acontecer. Seria mais um problema para a minha vida e, sinceramente, já tenho problemas demais.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: NAS GARRAS DO JUIZ