A respiração de Genebra parou.
O sangue refluiu instantaneamente.
Seus dedos ficaram gelados e dormentes, tão rígidos que ela não conseguia segurar o celular.
O aparelho caiu no sofá e quicou levemente.
O vídeo continuava rodando.
A marcha nupcial ecoava pelo quarto.
Parecia zombar de Genebra.
Ela curvou os lábios para Luana e fechou os olhos com força.
Os cantos de seus olhos estavam vermelhos e úmidos.
Ela respirou fundo, trêmula, desligou o vídeo com dedos instáveis e fez uma ligação.
— Dr. Paiva, por favor, agende a cirurgia de aborto para mim. Sim, não vou esperar, farei hoje. Certo, obrigada.
Ao desligar o telefone, Genebra recostou-se no sofá, sem forças.
Sua mão tocou o baixo-ventre involuntariamente.
Lágrimas escorreram pelos cantos dos olhos.
Genebra cobriu o rosto com as duas mãos e chorou, encolhida.
...
Genebra estava deitada na fria mesa de cirurgia, olhando fixamente para o teto.
Com a mão no ventre, murmurou:
— Desculpe, bebê, a culpa é da mamãe. Mamãe precisa sobreviver. Seja bonzinho e venha me procurar da próxima vez, está bem?
O médico viu as lágrimas dela escorrendo, formando uma poça em seus ouvidos, e sentiu pena.
— Cuide bem do seu corpo, você ainda terá chances de ter filhos no futuro. É jovem, a estrada é longa.
Genebra forçou um sorriso.
— Obrigada.
— Alguém virá buscá-la logo? E o pai da criança? — Perguntou a enfermeira.
Genebra fechou os olhos e disse suavemente:
— Ele não tem pai.
...
"O número discado está desligado."
A voz mecânica soou novamente.
Gaspar sentiu uma inquietação no fundo do coração e apressou o motorista:
— Dirija mais rápido.
— Sim, Sr. Teixeira.
O carro freou bruscamente e parou.
Gaspar ficou impaciente.
— O que aconteceu?
— Sr. Teixeira, parece que houve um acidente à frente. O trânsito está travado.

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