Um brilho estranho passou pelos olhos de Gaspar.
Seus lábios se fecharam em uma linha reta, e demorou muito para ele falar,
— Genebra, a gravidez da Débora quase não se sustentou. Essa criança é muito preciosa para ela, se ela perdesse...
Gaspar parou de falar, como se não ousasse imaginar o quão doloroso seria se essa criança fosse perdida.
Não, ele não podia deixar essa criança se perder.
Ele segurou a mão de Genebra e disse suavemente:
— Eu só estou cumprindo o desejo de alguém.
Genebra ouviu um som de algo se partindo em seus ouvidos; era o seu coração.
Ela já tinha a resposta em seu íntimo, mas ouvir da boca de Gaspar fez seu coração doer profundamente.
O homem que ela amou por toda a sua juventude, agora, finalmente, pertencia a outra.
Ela nem conseguia pensar com clareza se esse "alguém" era a Débora ou outra pessoa.
Mas por que?
Ela e Gaspar não tiveram um casamento completo, enquanto ele já havia cumprido o compromisso do século com outra mulher.
Então, o que ela era?
E o filho dela, o que era?
Genebra sorriu com escárnio para si mesma.
Sim, ela não deveria ter expectativas.
O celular do homem tocou novamente.
Ele olhou para Genebra duas vezes antes de se levantar para atender.
A pessoa do outro lado disse algo, e Gaspar olhou para trás, para Genebra.
Genebra estava de olhos baixos, perdida em pensamentos.
Mas o coração de Gaspar, que estava suspenso, pousou lentamente.
Pelo menos ela perguntou, o que significava que ela ainda se importava.
Desde que ela se importasse um pouco com ele, estava bom.
Gaspar terminou a ligação, pegou Genebra no colo e voltou para o quarto,
— Você emagreceu muito ultimamente, não tem comido direito? A partir de amanhã, vou vigiar suas refeições.
Genebra continuou de olhos baixos, sem expressão.
Mais do que obediente, ela parecia sem vida.

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