Débora não suportou aquele olhar.
Era aterrorizante.
A última vez que vira um olhar tão assustador fora quando Genebra quase a estrangulou até a morte.
Era um agradecimento sincero?
Se fosse sincero, por que ela usaria um trunfo para ameaçá-lo?
Débora ficou sem palavras, e seu rosto empalideceu.
Para sua sorte, Jaime apareceu de repente e salvou a situação.
Ele sussurrou algo no ouvido de Gaspar.
Gaspar disse indiferente:
— Se encontraram, está bom. Mandem para o hospital.
— Sim senhor.
Gaspar pegou o celular e abriu a conversa com Genebra.
Estava vazia; há muito tempo não conversavam.
Seu dedo pairou sobre o teclado.
Queria dizer a ela que cumprira o prometido.
Mas apagou.
Por que contar agora?
Para dar a ela a chance de ir ver Noriel?
Uma raiva inexplicável subiu-lhe à cabeça.
Gaspar largou o celular com força.
Como se atrasara no jantar, Gaspar apressou o motorista durante todo o caminho.
Saiu do elevador e caminhou apressadamente para o escritório.
A secretária que levara a comida para Genebra adiantou-se rapidamente.
— Sr. Teixeira, já entreguei o almoço que o senhor pediu.
Gaspar parou por um instante, olhou para a secretária e não a reconheceu.
Mas sabia que pedira a Jaime para resolver isso.
— Hm.
Gaspar empurrou a porta do escritório.
Olhou ao redor, não havia ninguém.
Seu olhar pousou na mesa.
A marmita estava intocada.
— Onde ela está? — Perguntou Gaspar com a voz gélida e severa.
A secretária assustou-se.
Gaspar costumava ser frio, mas raramente se exaltava.

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