Genebra ficou rígida, imóvel.
Se entrasse naquele carro, todo o seu esforço anterior se tornaria uma piada?
Vendo que ela não se movia, o rosto do homem ficou ainda mais frio, como se sua paciência tivesse acabado.
— Vai entrar por conta própria ou quer que eu te coloque lá dentro à força?
Ela sabia o que a esperava.
Gaspar fora capaz de propor aquela exigência desumana; como poderia ser gentil com ela?
Mas ela se sentia tão sufocada.
Por que ele reconhecia Débora lá fora, dava ações a Débora...
Mas queria mantê-la escondida nas sombras, indigna de ser vista, apenas para lhe dar outro filho?
Seus dedos, caídos ao lado do corpo, contraíram-se em espasmos.
As unhas cravaram na palma da mão, perfurando a pele.
A dor trouxe a Genebra um fio de lucidez.
Pensou na mãe de Luana.
Na mão de Noriel, que quase fora destruída.
Ela tinha escolha?
Pelos erros que ela cometeu, pela pessoa errada que escolheu, seus amigos deveriam pagar a conta?
Isso não era justo.
Genebra respirou fundo, abriu a porta e entrou no carro.
Ao ver a determinação suicida nos olhos dela, Gaspar sentiu uma raiva inexplicável.
Ele ergueu a mão, segurou o queixo de Genebra, puxou-a para si e a beijou.
Mais do que um beijo, parecia uma mordida.
Genebra apoiou as mãos no peito dele.
Lágrimas involuntárias brotaram de seus olhos.
O motorista ainda dirigia.
Genebra sentiu-se humilhada demais.
Esquivou-se com força e encostou a cabeça no ombro de Gaspar.
— Vamos para casa, pode ser?
A voz transbordava cansaço.
O tom não era tão agudo, havia até uma pitada de súplica.
A respiração de Gaspar estava irregular.
Ao ouvir aquele tom, a violência em seus olhos suavizou visivelmente.
Ele estendeu a mão e apertou um botão.
A divisória subiu lentamente.
O banco de trás tornou-se um espaço isolado.

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