O olhar de Gaspar desceu, pousando na barriga dela.
Débora era muito magra e, com roupas largas, a gravidez não era muito visível.
Mas ela propositalmente vestiu roupas justas, fazendo a barriga parecer grande.
Como se quisesse lembrar Gaspar constantemente de que havia uma criança ali.
— Débora, eu não sei que jogo você está jogando. Mas eu sabia que você poderia estar mentindo para mim e vim mesmo assim. Sabe por quê?
Ele já tinha percebido?
Débora ficou rígida, seus lábios perderam a cor, e ela forçou um sorriso.
— Gaspar, não sei do que você está falando. Mas eu sei que você veio porque se preocupa comigo... e com a criança.
Ela já não ousava confirmar se Gaspar se importava com ela, mas com a criança ele certamente se importava.
Gaspar ergueu os olhos para ela, os cantos da boca se curvaram em um sorriso, mas o fundo de seus olhos era puro gelo.
— A criança? Ah, eu não me importo com a criança. Quem se importa é a minha mãe.
Ele se levantou lentamente, apoiando as mãos nos braços da cadeira dela, olhando para Débora com uma pressão opressora.
— Eu sempre achei que essa criança poderia ser o elo para aliviar a relação entre mim e ela. Mas agora descobri que era apenas um desejo unilateral meu, tudo uma piada. Eu poderia ter destruído esse "elo".
A barriga de Débora doeu de verdade, com uma pontada aguda.
Parecia que Gaspar iria abri-la no segundo seguinte.
— Gaspar... não faça isso, estou com medo...
— Sabe por que eu ainda mantive essa gravidez? — Gaspar não se importou nem um pouco com as emoções dela, dizendo as palavras quase triturando os dentes molares.
Seu próprio filho se foi; com o filho de outra pessoa, ele não se importava nem um pouco.
As lágrimas de Débora caíam como contas de um colar arrebentado; ela tremia e balançava a cabeça, sem ousar dizer nada. Ela estava com medo.
Estava verdadeiramente apavorada.
Gaspar iria destruí-la, realmente iria.
— Porque é o que eu devia a ele. — Gaspar falou devagar, com a voz rouca, como se tivesse esgotado toda a sua paciência. — Débora, eu devia a ele, mas não devo nada a você. Se você tentar jogar comigo de novo, você está acabada, entendeu?
Débora balançou a cabeça freneticamente, as lágrimas voando com o movimento.

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