Genebra manteve os olhos fechados com força, encolhendo as pernas, o corpo todo tremendo.
Sua cabeça parecia que ia rachar. Qualquer aumento no tom de voz de Gaspar fazia parecer que sua cabeça ia explodir.
Sua voz saiu irritada e rouca, transbordando repulsa.
— Cale a boca.
Gaspar ergueu a mão e apertou a bochecha dela.
— Por que eu deveria calar a boca? Eu ainda tenho... Genebra!
Quando sua mão tocou a bochecha de Genebra, a temperatura da palma dela o assustou.
Ele já estava com febre, mas a temperatura de Genebra era muito mais alta que a dele.
Gaspar pressionou rapidamente o botão do interfone, avisando o motorista da frente.
— Para o hospital, rápido!
O motorista obedeceu. Logo, a voz ansiosa de Jaime veio pelo alto-falante.
— Sr. Teixeira, o senhor não está se sentindo bem?
— Não sou eu.
Jaime não disse mais nada. Se não era ele, só podia ser Genebra.
Gaspar forçou Genebra contra seu peito. Ela vestia um casaco de cashmere, mas, depois de uma noite num lugar gelado, aquilo não aquecia nada.
A pessoa em seus braços estava fervendo, mas tremia sem parar, com a consciência confusa.
Mesmo assim, não se esquecia de lutar.
— Me solta, Gaspar... vá morrer...
As maldições eram murmuradas de forma embolada, mas entravam com clareza nos ouvidos de Gaspar.
Ele baixou os olhos para a pessoa em seus braços, as sobrancelhas franzidas em um nó.
— Me odeia tanto assim?
Mas Genebra não falou mais nada.
O carro chegou ao hospital. Gaspar desceu com Genebra nos braços. Jaime quase morreu de susto ao ver.
— Sr. Teixeira, sua ferida ainda não cicatrizou, vai abrir desse jeito. — Ele corria ao lado, protegendo-o com as mãos no ar. — Deixe-me carregá-la.
Gaspar lançou um olhar gelado que fez Jaime encolher o pescoço.
Aquele homem jamais deixaria outro tocar em quem era dele.
Jaime, sem alternativa, correu para dentro e voltou com uma cadeira de rodas. Só então Gaspar colocou Genebra nela, a contragosto.

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