Genebra hesitou por um instante, e então seus ombros tremeram enquanto ela começava a rir.
Lágrimas quentes escaparam pelos cantos de seus olhos enquanto ela virava levemente a cabeça para olhá-lo.
Seus olhos erguidos estavam úmidos, vívidos e cruéis.
— Gaspar, você me deve tanto. Como podemos estar quites?
A garganta de Gaspar apertou, sua voz soou reprimida e rouca.
— Então diga, o que é preciso?
Genebra levantou a mão e segurou a ponta do colarinho da camisa dele, recolhendo lentamente o sorriso, sem qualquer hesitação.
— Me dê a sua vida. Aí eu considero.
Ao ver as pupilas de Gaspar se contraírem, Genebra sentiu um prazer imenso.
Uma pessoa egoísta como ele, como poderia dar a vida por ela?
Aproveitando o momento de atordoamento dele, Genebra virou-se e voltou para a mansão.
Estava quase na hora do encontro com Noriel. Genebra preparou-se para sair.
Gaspar estava sentado na sala de estar. Genebra passou por ele em direção à porta.
— Onde você vai? — Gaspar chamou com voz fria.
Genebra parou.
— Ver amigos.
— Amigos. — Gaspar soltou uma risada nasalada. — Que amigos? Noriel ou Breno? Ou será que você fez novos amigos homens?
Genebra ignorou completamente o sarcasmo dele. Não queria se explicar, mas também não queria causar problemas para Noriel.
— Marquei com a Talita para falar sobre a exposição itinerante.
Gaspar fez uma pausa e olhou para ela rapidamente. O ciúme em seus olhos se dissipou instantaneamente, e seus cílios tremeram levemente.
— Só vai ver a Talita?
— E o Noriel. — Genebra foi honesta. — A Luana também vai estar.
Ao ouvir os nomes das duas últimas pessoas, os lábios de Gaspar formaram uma linha reta. Ele se lembrava bem da cena de Genebra e Noriel de mãos dadas na última vez que se viram.
Gaspar hesitou.
— Não podem fazer uma reunião online?

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