Ele queria retalhar Débora em mil pedaços.
Mas ele também era aquele que merecia morrer.
Genebra estava certa; o sofrimento dela hoje era tudo obra dele.
— Estou cansada, quero dormir. — Disse Genebra friamente.
Gaspar parou por um instante, soltou-a com relutância e disse com voz rouca:
— Tudo bem, vou levar você para descansar.
Genebra quis recusar, mas Gaspar se levantou e a pegou no colo, com movimentos cuidadosos, como se tratasse de um tesouro precioso.
Ele voltou para o quarto e perguntou baixinho:
— Quer tomar banho?
Genebra apertou os lábios.
— Eu tomo sozinha.
Gaspar assentiu.
— Está bem. — Ele estava tão dócil, parecia seu servo.
Ele a colocou suavemente na cama e foi ao closet buscar roupas limpas para ela.
Genebra nem olhou para ele, pegou as roupas de sua mão e entrou direto no banheiro, fechando a porta na cara dele.
Quando ela saiu do banho, Gaspar estava sentado na beira da cama, de cabeça baixa, esperando por ela.
Ao ouvir o barulho, ele ergueu levemente os olhos para ela, franziu a testa de repente e caminhou até sua frente.
— Por que não secou o cabelo? Você não pode ficar doente agora. — A voz de Gaspar soava ansiosa enquanto ele se virava para buscar o secador.
Ele puxou Genebra para sentar e começou a secar o cabelo dela, mecha por mecha.
Seus movimentos eram desajeitados, mas muito cuidadosos.
Como se tivesse medo de machucá-la.
Genebra olhou para ele atordoada e, um momento depois, soltou uma risada repentina.
Gaspar desligou o secador e olhou para ela.
— O que foi?
Genebra enxugou uma lágrima que escapara com o riso.
— Gaspar, não me trate bem agora. Isso só me faz sentir que eu era uma palhaça no passado.
Afinal, ele sabia tratar bem as pessoas.

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