A atmosfera ambígua foi completamente dissipada pela frase de Genebra.
Vendo as costas frias de Genebra se afastando, os dedos de Gaspar, caídos ao lado do corpo, se fecharam lentamente, cravando-se na palma da mão.
As unhas cortaram a pele, mas Gaspar parecia não sentir dor alguma.
Genebra chegou ao andar de baixo. O técnico estava gerando a imagem final. Ela parou ao lado, olhando fixamente para a tela.
Gaspar desceu alguns minutos depois. Jaime se aproximou e exclamou surpreso,
— Sr. Teixeira, o que houve com sua mão? Está cheia de sangue!
Jaime não baixou o tom de voz, e todos na sala ouviram.
Genebra olhou instintivamente e viu o vermelho na palma da mão dele. Ficou surpresa por alguns segundos, mas logo desviou o olhar.
Essa atitude indiferente fez o rosto de Gaspar escurecer ainda mais.
Jaime, fingindo não ver nada, apressou-se em perguntar a Genebra,
— Senhora, o presidente feriu a mão.
Genebra nem levantou a cabeça,
— Eu não sou médica.
De que adiantava falar com ela?
Jaime engasgou, mas não desistiu,
— Onde está a caixa de primeiros socorros?
Genebra apontou casualmente para a direção de um armário.
Jaime suspirou silenciosamente, correu para pegar a caixa e voltou. Quando ia falar com Genebra novamente, ela se virou e sentou-se, dando as costas a ele, sem a menor intenção de ajudar.
Sem saída, Jaime teve que agir.
Ele se agachou diante de Gaspar, girou os olhos e, remexendo na caixa, encontrou o álcool.
Com um movimento brusco, derramou o líquido diretamente na palma de Gaspar. O chefe franziu a testa levemente, mas não disse nada.
Ele mantinha os olhos fixos em Genebra, sem perceber que Jaime, propositalmente, enfaixava sua mão com muita força.
Ao perceber que algo estava errado, Gaspar lançou um olhar frio para Jaime.
Mas viu o assistente fazendo caretas e sinais.
Gaspar hesitou por um momento e então sibilou de dor,
— Vá devagar.

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